Lula, Maduro e a conta que sobra para o Brasil

Lula, Maduro e a conta que sobra para o Brasil

Por Kalebe PereiraJornalista e especialista em política

A Venezuela fechou 2025 devendo R$ 10,1 bilhões ao Brasil, sem qualquer previsão de pagamento. O dado oficial expõe mais do que um problema contábil: revela as consequências de uma política externa conduzida com viés ideológico, tolerância excessiva e pouco pragmatismo. No centro dessa equação estão dois nomes conhecidos: Lula, no Brasil, e Nicolás Maduro, na Venezuela.

Desde que reassumiu a Presidência, Lula tem apostado na reaproximação política e diplomática com o regime venezuelano, tratando Maduro como um parceiro estratégico da América do Sul. O problema é que essa reaproximação não veio acompanhada de contrapartidas econômicas concretas, muito menos de garantias para recuperar recursos públicos brasileiros.A dívida venezuelana decorre de financiamentos concedidos para obras de infraestrutura, com aval do Estado brasileiro. Com a inadimplência iniciada ainda em 2018, coube à União assumir o prejuízo por meio do Seguro de Crédito à Exportação. Em resumo: o governo brasileiro pagou, e Maduro não pagou.

Enquanto isso, o discurso oficial insiste em soluções diplomáticas, mesmo diante de um regime que enfrenta colapso econômico, isolamento internacional e graves questionamentos democráticos. A pergunta que precisa ser feita é direta: até quando o governo Lula seguirá tratando Maduro como aliado confiável, mesmo diante de calotes bilionários?

Relações internacionais não podem ser conduzidas apenas por afinidades ideológicas. Política externa também é responsabilidade fiscal, defesa do interesse nacional e respeito ao dinheiro do contribuinte. Quando isso falha, o resultado é conhecido: o prejuízo fica no Brasil, o silêncio vem de Caracas e a conta sobra para o povo.



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