Parasita, planta rouba sua energia e nutrientes de fungos - 09/01/2026 - Ciência

Parasita, planta rouba sua energia e nutrientes de fungos – 09/01/2026 – Ciência

Uma planta bizarra foi descoberta perto de Kuala Lumpur, na Malásia. Apelidada de lanterna de fada, ela é um parasita que rouba toda sua energia e nutrientes de fungos que habitam o solo.

Geralmente escondida debaixo da terra, a lanterna de fada periodicamente produz uma flor rosada com um topo em forma de cúpula, semelhante a um guarda-chuva, do qual se estendem três estruturas semelhantes a tentáculos.

A naturalista e fotógrafa Gim Siew Tan deparou-se com a flor em novembro de 2023 e publicou fotos no iNaturalist, uma plataforma para identificação de plantas, animais e fungos.

As fotos chegaram até a botânica Siti Munirah, do Instituto de Pesquisa Florestal da Malásia, que disse ter notado imediatamente que estava olhando para uma nova espécie.

Tan, Siti Munirah e colegas descreveram a planta em um estudo publicado em novembro

do ano passado na revista PhytoKeys, nomeando-a Thismia selangorensis.

Após a descoberta ao lado de um riacho na Floresta Recreativa de Sungai Congkak, os pesquisadores conduziram várias pesquisas nas proximidades. Eles encontraram só 20 exemplares, entre os quais alguns dentro de ocos de árvores.

Dada a raridade da planta e sua aparentemente minúscula área de distribuição, ela deve ser considerada criticamente ameaçada, na avaliação de Siti Munirah.

A lanterna de fada é uma planta que parasita fungos. No grupo do qual ela faz parte, existem cerca de 550 espécies conhecidas em todo o mundo, de acordo com o biólogo Vincent Merckx, do Centro de Biodiversidade Naturalis, na Holanda, que não esteve envolvido com o estudo. Isso é uma pequena parcela das estimadas 435 mil espécies de plantas na Terra.

A característica mais notável da lanterna de fada é sua cúpula “extraordinariamente larga”, em forma de guarda-chuva no topo da flor, segundo Michal Sochor, da Universidade Palacký (República Tcheca). Essa forma pode ajudar a manter detritos ou água da chuva fora da estrutura interna da flor, acrescentou o botânico, que não esteve envolvido no estudo.

A função das extensões semelhantes a tentáculos da planta é desconhecida. Uma hipótese é que possam emitir substâncias químicas para sinalizar a presença da flor enquanto ela emerge através da camada de folhas caídas.

Como muitas das plantas que parasitam fungos, esses organismos recém-descobertos são difíceis de encontrar. Eles passam a maior parte de suas vidas no subsolo e só são vistos acima do solo durante intervalos imprevisíveis de floração.

A maioria das plantas forma uma parceria simbiótica com fungos micorrízicos, uma relação que remonta a cerca de 500 milhões de anos, quando as plantas começaram a se estabelecer em terra firme. As plantas fornecem açúcares aos fungos, obtidos por meio de fotossíntese; os fungos ajudam a fornecer água e nutrientes do solo.

Mas plantas como a lanterna de fada enganam esse sistema ao tomar sem dar nada em troca, o que só é possível porque os fungos micorrízicos estão conectados a outras plantas verdes, alimentadas pela energia solar, segundo Merckx. Como muitos parasitas, essas plantas tendem a ser bastante especializadas, geralmente explorando apenas uma única espécie de fungo.

Thismia selangorensis tem raízes curtas e atarracadas que os pesquisadores descrevem como “semelhantes a corais”, onde fungos provavelmente são abrigados e manipulados.

Quando Tan encontrou a nova planta, ela estava na verdade procurando fotografar mixomicetos —organismos bizarros que podem se unir para formar bolhas, se movimentar e produzir corpos frutíferos semelhantes a caules.

“Passar tempo procurando mixomicetos me treinou para notar as menores coisas no chão da floresta”, disse ela. “Mas gosto de pensar que ela me encontrou.”

Existem mais de 110 espécies conhecidas no gênero Thismia, principalmente em regiões tropicais da Ásia e América do Sul, segundo Merckx, com novas espécies relatadas a cada ano; provavelmente dezenas de espécies ainda não foram descritas. O grupo não tem registro na África e na Europa.

Uma única espécie, Thismia americana, foi encontrada na borda de uma pradaria na América do Norte, nos arredores de Chicago, em 1912, a milhares de quilômetros de qualquer parente próximo conhecido. A planta, delicada e pálida, foi recoletada por alguns anos na mesma área. Mas então um celeiro foi construído no campo, e ela nunca mais foi encontrada.

Como ela chegou lá, tão distante de qualquer parente, é um mistério —assim como a função e o funcionamento interno dessas flores recém-descobertas, e qual fungo a planta explora.

“As interações mais estranhas podem evoluir”, disse Merckx. “A natureza é muito inventiva.”



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