Lula embaralha disputa no Paraná com Gleisi no Senado - 22/01/2026 - Política

Lula embaralha disputa no Paraná com Gleisi no Senado – 22/01/2026 – Política

A candidatura da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) ao Senado mudou os planos do PT no Paraná. A articuladora política do Planalto assume na chapa majoritária o lugar até então reservado a Ênio Verri. A sigla entende que a entrada da ex-presidente do partido embaralha a disputa com a direita, que até está dividida.

A ministra oficializou a sua pré-candidatura nesta quarta-feira (21), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, e Ênio Verri, que concorreria ao Senado.

“Reafirmei o meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado”, escreveu a ministra em rede social, nesta quarta.

O PT construiu uma aliança em nível local que prevê a candidatura de Requião Filho (PDT) ao governo. Ainda fazem parte dessa formação o PC do B, o PV, o PSOL e a Rede, com expectativas de atrair legendas como o PSB e o Avante.

Neste ano, há duas vagas em disputa pelo Senado. Uma seria de Verri, atual presidente de Itaipu. A interlocutores Requião Filho afirmou que seu desenho de chapa não contempla duas candidaturas do PT ao Senado.

Dessa forma, a candidatura de Gleisi reforçou no PT o entendimento de que o segundo nome para senador precisa ter um perfil que fure a bolha de esquerda. O nome do atual senador Flávio Arns (PSB), nesse sentido, é citado como possibilidade. A vice ficaria para um dos partidos não contemplados.

A candidatura de Gleisi envolve plano de Lula para lançar nomes competitivos ao Senado para se contrapor ao bolsonarismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentará eleger o maior número de senadores para conseguir o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e pressionar a corte contra sua prisão.

Gleisi, antes do pedido de Lula, pretendia deixar as Relações Institucionais para tentar a reeleição na Câmara dos Deputados. A campanha para a Câmara é vista como um caminho mais garantido para assegurar mais quatro anos de mandato.

O Paraná tem histórico recente de votação à direita. É governado por Ratinho Júnior (PSD), que pretende concorrer à Presidência contra Lula. Mas o seu grupo não se entende sobre quem deve ser o candidato à sucessão, enquanto o senador Sergio Moro (União Brasil) lançou pré-candidatura ao governo.

Nesse campo político, constam como possíveis candidatos a senador o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), a jornalista Cristina Graeml (União Brasil) e o deputado Filipe Barros (PL). Cotados para sucessão de Ratinho, o secretário estadual Guto Silva (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), também são opções consideradas para a corrida ao Senado.

Para Lula, também é importante fortalecer o palanque no Paraná. Em 2022, o estado deu 62,4% dos votos válidos a Bolsonaro no segundo turno, ante 37,6% para o petista. A ideia é diminuir a margem de vantagem da direita, que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência.

Sucessão no ministério

Ao pedir que a ministra Gleisi concorra ao Senado pelo Paraná, Lula precipitou o debate sobre quem ficará à frente do comando das Relações Institucionais do governo a partir de abril. Há uma variedade de cotados para assumir a articulação política do Planalto em meio a outras mudanças no palácio e na Esplanada.

Tradicionalmente, ministros que saem do cargo para concorrer nas eleições deixam a pasta sob o comando do seu secretário-executivo. Quem ocupa o posto na pasta hoje é Marcelo Costa. Diplomata de carreira, ele tem perfil técnico, mas alas do PT entendem que a pasta precisa de um nome político, mesmo durante os meses da eleição.

Nesse sentido, correm pelo Planalto nomes de lideranças petistas cotadas para assumir o posto de Gleisi. Nesse rol são citados os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação). Ambos se elegeram senadores em 2022 e, dessa forma, não precisam disputar o pleito deste ano para continuar com mandato.

Camilo, porém, tem futuro incerto. Sob risco de derrota no Ceará, o ministro é cotado para disputar o governo estadual. Nesse desenho, o atual governador, Elmano de Freitas (PT), concorreria ao Senado. Nessa dança das cadeiras, o atual líder do governo na Câmara, José Guimarães, não veria sua pré-candidatura a senador prosperar.



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