Dias depois de agentes do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) matarem a tiros o enfermeiro Alex Pretti durante protesto em Minneapolis, o presidente Donald Trump decidiu demitir o comandante da operação na cidade, reportou nesta segunda-feira (26) a revista The Atlantic.
Gregory Bovino, conhecido como um defensor da truculência das operações de deportação e por usar roupas que suscitaram comparações a vestes nazistas, voltará ao cargo que tinha antes do governo Trump, como oficial do CBP na Califórnia, e deverá se aposentar em breve, ainda segundo a Atlantic.
Bovino recebeu do governo Trump o cargo de “comandante-geral” do CBP, uma posição que não existia anteriormente e cujas atribuições não estavam claras. O agente se tornou um dos principais oficiais da proteção de fronteiras a dar entrevistas coletivas e conversar com a imprensa, tendo comandado ainda operações de deportação em massa em Los Angeles e Chicago.
Frequentemente visto com um longo sobretudo militar, as roupas de Bovino, junto de seu corte de cabelo, suscitaram acusações de membros da oposição de que o agente buscava imitar a aparência de um oficial nazista —o que Bovino negava.
A saída de Bovino do cargo, se confirmada, representa o mais importante recuo do governo Trump na sua campanha de deportação em massa até aqui. Depois de duas mortes de cidadãos americanos e semanas de ações ostensivas que semearam o caos na zona metropolitana de Minneapolis, de quase 4 milhões de habitantes, a pressão sobre a Casa Branca para que encerre a operação na cidade é enorme.
O prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, disse na segunda, após uma conversa com Trump, que “alguns agentes [federais] vão começar a deixar a região amanhã”. A informação não foi confirmada pela Casa Branca.
De acordo com a Atlantic, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, também corre risco de perder o cargo. Entre democratas, alguns já pedem pela sua saída ou abertura de processo de impeachment pelo Congresso.
A senadora por Massachussets Elizabeth Warren afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que é necessário uma investigação independente sobre a morte de Alex Pretti. “As vítimas dessa violência merecem justiça. Kristi Noem deveria pedir demissão e, se ela não o fizer, o Congresso deveria [abrir um processo] de impeachment e tirá-la do cargo.”


