Fogo avança na Patagônia enquanto Milei faz foto com IA - 28/01/2026 - Ambiente

Fogo avança na Patagônia enquanto Milei faz foto com IA – 28/01/2026 – Ambiente

Enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, cantava em Mar del Plata em uma apresentação de sua ex-namorada, a Patagônia, especialmente na província de Chubut, ainda sofria com novos focos de incêndios florestais que atingiram o Parque Nacional Los Alerces (a 1.800 km de Buenos Aires).

O avanço das chamas, que queimaram mais de 45 mil hectares, é impulsionado por altas temperaturas, ventos fortes e falta de chuva. Moradores de locais mais próximos à área precisaram deixar suas casas.

Apesar do esforço de brigadistas, bombeiros e vizinhos auto-organizados, as chamas continuam a ameaçar casas, animais e áreas produtivas.

O fogo se espalhou em direção à Villa Lago Rivadavia e já existem três focos ativos, avançando em direção a Cholila e Esquel, resultando na retirada de moradores dessas áreas.

As temperaturas elevadas nos últimos dias na Argentina, que enfrenta uma onda de calor, agravaram a situação. O Serviço Meteorológico Nacional prevê dias quentes e ausência de chuvas significativas nesta semana e na próxima, o que aumenta o risco de novos incêndios.

“É a pior tragédia ambiental desse tipo na região em 20 anos”, disse à imprensa Abel Nievas, secretário de Florestas da província de Chubut.

Nos últimos dias, os governadores da região se reuniram para discutir o problema e pediram ajuda ao governo federal, que tem sido criticado por não agir de forma eficaz.

Os líderes das províncias patagônicas solicitaram à Casa Rosada que forneça recursos para combater os incêndios e instaram o Congresso Nacional a aprovar uma Lei de Emergência.

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O governador de Chubut, Ignacio Torres, mencionou que as áreas afetadas são vastas e pediu ferramentas extraordinárias para enfrentar a situação climática extrema.

Também nos últimos dias, o presidente Javier Milei reagiu de uma forma que irritou parte da opinião pública, ao compartilhar uma imagem criada por inteligência artificial em que ele aparece apertando a mão de um bombeiro em meio às chamas, o que levou a uma série de críticas feitas pela oposição.

“Nada mais heroico do que arriscar a própria vida para salvar a vida de outros”, escreveu o presidente em suas redes sociais no último dia 12.

Longe das chamas, o presidente foi a Mar del Plata, onde participou do evento Direita Fest e de uma apresentação teatral, na terça-feira (27), de sua ex-namorada, a comediante Fátima Florez.

Milei aproveitou o evento para cantar a música “Rock del Gato”, da banda Los Ratones Paranoicos. “A cauda dela arde com o perigo”, diz um dos versos da canção.

Questionada, a Presidência da Argentina não informou se Milei tem programada uma visita à região dos incêndios.

Os dados mais recentes indicam que, além dos 45 mil hectares queimados em Chubut, cerca de 223 mil hectares foram atingidos, de alguma forma, na Patagônia como um todo.

Mais de 600 voluntários estão no combate às chamas, que estão se aproximando cada vez mais de cidades como Cholila, onde a situação é considera crítica.

As emissoras de TV argentinas registram uma série de relatos de residentes, que expressam preocupação com o avanço do fogo enquanto tentam para proteger suas propriedades.

Segundo o Comitê de Operações de Emergência, é preciso analisar as condições climáticas a cada momento devido à mudança nas direções do vento.

Em Cholila, além dos incêndios, os moradores enfrentam a falta de abastecimento hídrico. Em Villa Lago Rivadavia, os locais onde o fogo já foi controlado agora enfrentam o desafio de recuperar as pastagens consumidas pelas chamas.

O governo federal também tem sido criticado por cortes de recursos para o combate a esse tipo de emergência, como parte do programa de redução de gastos imposto por Milei.

A Farn (Fundação de Ambiente e Recursos Naturais) apontou que os últimos anos foram de diversos registros de incêndios e criticou a mudança do Serviço Nacional de Gestão de Incêndios para o Ministério da Segurança Nacional, o que enfraqueceu a gestão ambiental.

A situação é ainda mais precária após a dissolução do Fundo Nacional de Gestão de Incêndios, que era crucial para o financiamento e prevenção de incêndios. Membros das brigadas de combate aos incêndios também têm reclamado de atrasos de salários.

Ambientalistas também apontam que a previsão orçamentária para 2026 tem uma queda real nos recursos do Serviço Nacional de Gestão de Incêndios de 68,9% em comparação com 2023 —decidido antes da posse de Milei, em dezembro daquele ano— e uma queda de 53,6% em comparação com 2025.

A Farn também alerta sobre a necessidade de uma abordagem preventiva no manejo do fogo, algo que não está acontecendo no momento.



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