RJ: PMs absolvidos por morte de jovem na Cidade de Deus - 12/02/2026 - Cotidiano

RJ: PMs absolvidos por morte de jovem na Cidade de Deus – 12/02/2026 – Cotidiano

O 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal da acusação de homicídio qualificado contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, 13, morto em agosto de 2023, na Cidade de Deus, durante operação policial.

Eles também foram absolvidos da acusação de tentativa de homicídio de Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, que pilotava a moto na qual Thiago estava na garupa ao ser atingido pelos disparos. A decisão foi anunciada no final da noite desta quarta (11).

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em decisão unânime, os sete jurados reconheceram que os disparos feitos pelos policiais causaram a morte de Thiago, porém, absolveram os policiais, que tiveram seus alvarás de soltura determinados pelo juízo.

O juiz Renan Ongaratto afirmou que, embora o Judiciário não seja indiferente à “dor que transcende a família das vítimas”, a decisão soberana do Tribunal do Júri deve ser respeitada como a voz da sociedade.

Adolescente foi morto em garupa de moto

Thiago foi morto enquanto andava na garupa de uma moto na madrugada de 7 de agosto. Segundo testemunhas, o garoto foi atingido por tiros que partiram dos PMs.

Inicialmente, a Polícia Militar disse que Thiago morreu em confronto com os policiais. Nessa primeira versão da corporação, os agentes alegaram ter trocado tiros com o adolescente e que, no local, encontraram uma pistola. Imagens obtidas pela família do garoto, porém, contestaram a versão.

Nas gravações era possível ver que não houve tiroteio. Thiago aparecia andando de moto na rua, que estava movimentada. Segundo testemunhas, os agentes estavam dentro de um carro de passeio, sem qualquer identificação da PM. O veículo, um C4 Pallas prata, é visto nas imagens andando atrás do adolescente.

A defesa dos policiais apresentou, durante o julgamento, fotos que seriam de Thiago próximo a armas e um áudio que seria dele no qual dizia trabalhar para um traficante.

A mãe de Thiago afirmou que não reconheceu o filho em duas fotos e que desconhecia o áudio.

A Anistia Internacional repudiou a decisão e a tática da defesa. “Além da dor da perda e da absolvição, chamou atenção durante o júri o deslocamento do foco do julgamento. Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução. Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça”, afirmou a organização.



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