Josias de Souza

Lula na Sapucaí: custo-benefício

Lula calibrou sua presença na Sapucaí, no domingo, a partir de um cálculo do tipo custo-benefício. Foi presenteado pela Acadêmicos de Niterói, estreante na elite das escolas de samba do Rio, com um desfile-comício. Durante cerca de 90 minutos, a avenida foi convertida num palanque que antecipou o início da propaganda eleitoral em seis meses.Lula levou a tiracolo Janja, o vice Geraldo Alckmin e um séquito de ministros e apoiadores. Cármen Lúcia, a presidente do TSE, avisara na semana passada: “A festa de Carnaval não pode ser fresta para ilícitos”. Farejando o cheiro de queimado, a escola de samba e o homenageado equilibraram-se numa corda bamba entre a politização do desfile e as vedações da lei eleitoral.A letra do samba-exaltação glorifica Lula e enaltece sua agenda. Mas não pede voto. O verso sobre “13 noites e 13 dias” fala da migração da família de Lula para São Paulo, sem mencionar que o número identifica o PT na urna. O refrão com o slogan das campanhas de Lula é tratado como manifestação cultural, não eleitoral. Bolsonaro foi retratado na avenida como um palhaço vestido de presidiário. Mas não houve menção ao primogênito Flávio, o candidato do “mito” encarcerado.



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