“Evacue seu imóvel. Área de risco. Sua vida vale mais”, diz a guarda municipal de Juiz de Fora, na zona da mata de Minas Gerais, Fabrícia de Castro, em tentativa de convencer moradores do bairro Três Moinhos que insistem em permanecer em casa.
A ocupação do bairro se dá em uma encosta. A paisagem local de quarta-feira (25) era de clarões abertos onde antes havia casas. Com a chuva da noite, a manhã desta quinta-feira (26) tem ainda mais fendas no morro.
Houve um deslizamento de terra durante a noite de quarta. O cálculo de moradores é de que pelo menos cinco casas desmoronaram desde segunda (23). Houve mortes e pessoas soterradas. A Defesa Civil tem reforçado o alerta para que moradores não voltem a áreas de risco.
A guarda municipal busca sinais de permanência de moradores: uma janela que abre ou fecha, a luz acesa.
“Aqui em Três Moinhos parece que há uma casa que tem gente e o restante foi evacuado. Vamos nos baseando nos relatos. Nosso serviço é orientar a população a sair”, diz Fabrícia.
Durante a conversa com a reportagem, um motociclista perguntou à guarda se poderia subir para resgatar um cão. Ela afirmou que a orientação era para ninguém acessar o local e que entendia a aflição, mas que a vida humana era mais importante. O homem decidiu se arriscar mesmo assim.
A movimentação na comunidade nesta quinta-feira é no resgate de animais de estimação: cães, gatos, galinhas e coelhos são retirados em mutirão de voluntários.
Há tutores que desejam individualmente buscar os animais. Esses são convencidos pelos agentes municipais de que casas condenadas precisam de ajuda dos resgatistas.
No universo da internet, moradores tentam demover os que insistem a permanecer em áreas de alto risco por meio de correntes de convencimento. Usam frases como “bem material a gente recupera”, “não dá sopa para o azar”, “pensa na família”.
Na noite desta quarta-feira, em um grupo de moradores, uma mulher foi convencida através de uma dessas correntes. Moradora das Paineiras, onde houve desabamento de casas com mortes, ela permanecia em casa para dar suporte à mãe, que não queria sair. Depois de algumas horas, ela voltou ao grupo para avisar que haviam concordado com a ideia de deixar o local.
A prefeitura transformou escolas públicas em abrigos comunitários. Os endereços são dinâmicos: abrigos são fechados e outros são abertos a depender do nível de risco onde estão as escolas.
O Corpo de Bombeiros afirma que a zona da mata mineira tem 2.593 desalojados, 583 deles em Juiz de Fora, 1.200 em Ubá e 810 em Matias Barbosa. O número de desabrigados não foi informado.


