Em março, começa a valer o regime FÁCIL (Facilitação do Acesso a Capital e de Incentivos a Listagens), aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em julho do ano passado. A BEE4, bolsa de valores especializada em PMEs (Pequenas e Médias Empresas), espera que a vigência do programa atraia holofotes para o mercado de acesso, mas enxerga o momento econômico do país como um empecilho para o aquecimento do setor.
O mercado de acesso é um segmento do mercado de capitais focado em PMEs. Nas palavras de Patrícia Stille, CEO da BEE4, ele atua como uma “rampa” para a listagem na bolsa principal —no caso brasileiro, a B3. O regime FÁCIL simplifica as regras e processos para que empresas de porte menor emitam ações e outros títulos.
“O Fácil dá uma aquecida natural no mercado. Estamos com um pipeline interessante de empresas e parcerias boas para a inauguração”, disse Stille.
A negociação de ações, no entanto, deve ficar escanteada no começo —movimento contrário daquele visto no Ibovespa, principal índice da B3, que acumula alta de 51% no último ano.
“Vamos operar muita renda fixa. O ambiente para ações vem se deteriorando cada vez mais e a nossa demanda é por crédito. Os investidores estão exigindo uma margem de segurança maior e um desconto maior para equity. O empresário não quer se diluir assim.”, declarou.
A executiva relata que, no último ano, viu desistências de processos de abertura de capital já avançados. A dinâmica de juros, o desequilíbrio fiscal e as eleições presidenciais que acontecem neste ano foram citados como fatores dissuasórios para a entrada de PMEs no mercado de ações.
“Em outro momento do ciclo, estaremos prontos para abrir a janela e correr para fazer uma série de emissões de ações”, afirmou.
Cenários distintos
Mais da metade dos aportes realizados na B3 vêm de investidores estrangeiros, que, entre outros motivos, procuram diversificar suas carteiras em um momento de apreensão com o mercado americano. A busca explica uma parte do bom desempenho do Ibovespa nos últimos 12 meses.
A entrada líquida anual de recursos de investidores estrangeiros na B3 em 2026 foi de R$ 41,74 bilhões (até o dia 25 de fevereiro), segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Ainda que negocie ações de companhias brasileiras, a BEE4 —e o mercado de acesso, em geral— não é tão procurada por carteiras globais. Acontece, mas em menor proporção do que a vista na praça mais antiga.
O investidor estrangeiro, em geral, procura ativos mais líquidos, uma vez que precisa de agilidade de entrada e saída —salvo quando investe por fundamento, em empresas específicas, muitas vezes através de fundos.
O mercado de acesso ainda carece de uma safra grande de emissões, o que, para Patrícia Stille, deve acontecer quando o FÁCIL entrar em efetividade. Mesmo assim, essas emissões não chegam ao patamar das que acontecem na B3, que deve continuar atraindo o estrangeiro.
Folha Mercado
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BBB 26: Brasil, bolsa e balcão?
A BEE4 anunciou em 2025 um reality show para PMEs brasileiras, chamado “Rota FÁCIL”. As vencedoras contarão com auditoria independente, assessoria jurídica e terão subsidiadas as taxas de registro de listagem junto à CVM e à bolsa.
Entre os jurados, estão Renata Vichi, CEO do Grupo CRM (Kopenhagen e Brasil Cacau), Luciana Wodzik (Arezzo) e Rogério Salume (Wine).
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