A Justiça do Rio de Janeiro condenou no final da noite desta quarta-feira (15) o último dos três denunciados por espancar até a morte o congolês Moïse Kabagambe, em janeiro de 2022, em um quiosque na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
O lutador de jiu-jítsu Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, foi condenado a 18 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, pelo Conselho de Sentença do 1º Tribunal do Júri da capital.
Ele foi o último dos três denunciados a ser julgado. Em março do ano passado, outros dois réus, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, foram condenados pelo mesmo crime. O primeiro recebeu a pena de 19 anos e seis meses de prisão e o segundo de 23 anos e sete meses.
O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado com emprego de meio cruel. O réu foi acusado de imobilizar a vítima, que tinha 24 anos, durante 13 minutos para que os outros acusados pudessem agredi-lo diversas vezes.
“Registre-se que Brendon, durante todo esse tempo, nada fez para cessar a desnecessária violência”, disse a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, que presidiu a sessão de julgamento.
Imagens de câmeras de segurança mostram o espancamento com golpes de taco de beisebol, socos, chutes e tapas.
Segundo a investigação, as agressões começaram depois que Moïse cobrou o proprietário do quiosque Tropicália por diárias atrasadas.
A denúncia do Ministério Público afirma que Brendon posou para uma foto, ao lado de outro acusado, quando a vítima estava desacordada no chão. Além disso, ele fez um gesto com as mãos conhecido como “hang loose”, associado a uma saudação descontraída.
Durante o interrogatório, o réu confirmou ter amarrado a vítima, mas negou a intenção de matar. O lutador negou também ter usado técnicas de jiu-jitsu para machucar o congolês.
A defesa de Brendon alegou que ele não teve a intenção de matar Moïse e agiu com a intenção de conter uma situação de conflito que envolvia o congolês.
“A minha intenção a todo momento era imobilizá-lo até a chegada da polícia. Pedi para alguém chamar a polícia e, quando vi que ele havia desmaiado e, depois de uma massagem cardíaca, percebi que não respondia mais, fiquei desesperado”, afirmou o lutador. “Quero pedir perdão à minha mãe e à família da vítima”.


