Usava a advocacia como instrumento de justiça social - 06/06/2026 - Cotidiano

Usava a advocacia como instrumento de justiça social – 06/06/2026 – Cotidiano

Mais do que político, advogado ou dirigente esportivo, Watteau Ferreira Rodrigues pertenceu à tradição dos homens que acreditavam que conhecimento, política e ação pública deveriam servir à sociedade.

Homem de muita conviccão nos seus valores, desde cedo mantinha suas posições ideológicas e honra inegociáveis.

Nascido em Pocinhos, na Paraíba, em 12 de junho de 1962, ele se mudou aos 15 anos para Areia, no mesmo estado, cidade que marcou sua formação afetiva e cultural.

Aos 17, foi morar em João Pessoa, onde residiu por toda a vida. Na capital paraibana, durante o curso de educação fisica na Universidade Federal da Paraíba, ele entrou no movimento estudantil e começou a militância política.

Não concluiu o curso, mas se consolidou como quadro político e intelectual do PCdoB no estado. Foi presidente da Federação Esportiva dos Estudantes Universitários da Paraíba e teve atuação ligada à construção da UJS (União da Juventude Socialista).

Nessa fase, casou-se com Cristina di Lorenzo, com quem teve, em 27 anos de união, os filhos Lourenço di Lorenzo, 42, e Marx Martins Rodrigues, 40.

Em 1996, formou-se em direito e se tornou um militante fervoroso da profissão, colocando-se a serviço dos trabalhadores, dos movimentos sociais, dos oprimidos e de quem precisasse de defesa, mesmo que não pudesse pagar os honorários.

No início dos anos 2000, atuou no Ministério do Esporte, em Brasília, em função ligada ao esporte educacional e a projetos como o Programa Segundo Tempo, iniciativa voltada à democratização do acesso ao esporte para crianças, adolescentes e jovens. Ele dizia acreditar no esporte como base de formação cidadã, inclusão, disciplina, alegria e oportunidade para todas as crianças.Entre 2005 e 2008, exerceu mandato de vereador de João Pessoa pelo PCdoB. Daquele ano em diante, foi coordenador-geral do Procon municipal e exerceu funções na Secretaria de Esportes da capital, sempre conectado à ideia do esporte como política pública.Palmeirense e botafoguense, o futebol era mais uma de suas paixões. Tanto que em 2008, 2012 e de 2015 em diante foi presidente do Auto Esporte Clube, tradicional clube paraibano. Nos últimos anos, dedicou-se integralmente à advocacia.

“Meu pai era um advogado profundamente orgulhoso da profissão e um defensor nato dos mais pobres, dos trabalhadores e dos movimentos sociais. Era um intelectual raro, leitor desde criança, apaixonado por história, literatura, arte, música clássica, política e futebol”, lembra o filho Marx.

“Ele tinha convicções inegociáveis, mas também um humor permanente. Foi combativo a vida inteira, sem jamais abrir mão da honra, da lealdade e da alegria de viver. Para os netos, era uma fonte inesgotável de amor, curiosidade e pequenas aulas sobre o mundo”, conclui.

Watteau morreu no dia 3 de junho, aos 63 anos, em João Pessoa. Ele deixa os dois filhos e três netos: Nicolas, Beto e Maria.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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