Tesouro Reserva desbanca poupança e cofrinhos - 07/06/2026 - Economia

Tesouro Reserva desbanca poupança e cofrinhos – 07/06/2026 – Economia

O Tesouro Reserva, criado para disputar espaço com a poupança e as caixinhas de bancos e fintechs, pode trazer um ganho de R$ 1.735 acima da poupança, segundo uma simulação feita pela Folha em parceria com o especialista em investimentos Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno. Essa é a diferença gerada em um investimento de R$ 20 mil por dois anos.

A simulação comparou o desempenho também em seis meses, um ano e dois anos para investimentos de R$ 1.000 e R$ 10 mil. Em todos os cenários, o título supera a caderneta.

Embora renda um pouco menos do que outros produtos bancários usados para reserva de emergência, o novo título público oferece o menor risco possível com o diferencial de saque do dinheiro a qualquer momento, 24 horas por dia.

Na simulação, a rentabilidade foi calculada com o chamado CDI over, a taxa diária praticada no mercado interbancário. É ela que incide sobre o saldo do investidor e determina o rendimento que será pago no resgate.

O Tesouro Reserva sai na frente da poupança porque a caderneta sempre foi uma alternativa prática e acessível a todos, que permite saques a qualquer momento, além de ter isenção do Imposto de Renda.

No entanto, a atratividade da modalidade foi perdendo espaço porque oferece rendimento muito baixo frente a outros instrumentos também conservadores: em momentos de juros altos, paga somente um retorno fixo de 0,5% ao mês somado a uma TR (Taxa Referencial), hoje em 0,1687% ao mês. Isso representa em torno de 8,33% ao ano de rentabilidade.

Vale lembrar que o rendimento só é creditado na data de aniversário do depósito, após 30 dias. Sacar um dia antes significa perder o retorno do mês inteiro. “Investir na poupança não faz sentido”, afirma Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. “O investidor assume o risco do banco com um rendimento menor.”

Para disputar com a caderneta, diversas instituições financeiras começaram a oferecer produtos que permitem saque imediato, como fundos e CDBs com liquidez em 24 horas, além das caixinhas ou cofrinhos, que costumam investir em títulos públicos ou das próprias instituições.

Um CDB ou uma caixinha a 100% do CDI empata com o Tesouro Reserva para aportes até R$ 10 mil. Acima disso, o título fica atrás com o passar do tempo devido à incidência da taxa de custódia da B3, de 0,2% ao ano, cobrança que não existe nas emissões bancárias.

Há ainda opções que oferecem retorno acima do CDI. Embora atraente, isso indica um nível a mais de risco aceito pelo investidor. Emissões privadas carregam o risco da instituição financeira que os emitiu, ainda que rendam mais.

Para Almeida, da Suno, esse ponto é importante porque a finalidade da reserva de emergência é unir liquidez e baixo risco. “Esses pontos são plenamente entregues pelo Tesouro Reserva”, afirma.

Outra alternativa para a reserva de emergência são os fundos DI, que compram títulos privados ou públicos atrelados à Selic e ao CDI. Na simulação, foram considerados os fundos sem taxa —que não têm liquidez 24 horas, mas vêm servindo de opção para a reserva nos últimos anos— e um com taxa de 0,20% ao ano. A XP, o Inter e o Itaú oferecem fundos DI com resgate em qualquer momento —e todos têm taxas de administração.

A cobrança em si faz com que os produtos, na largada, percam para outros sem recolhimentos adicionais. E a isso se soma o chamado come-cotas, que incide sobre qualquer fundo de renda fixa. O imposto funciona como uma antecipação do que o investidor pagaria no resgate e a alíquota é de 15% sobre o lucro a cada seis meses. Embora menos perceptível no curto prazo, isso prejudica o efeito dos juros compostos, já que cada recolhimento reduz a base de cálculo.

Uma alternativa que não oferece liquidez 24 horas é o Tesouro Selic, mas a simulação inclui o título porque ele também se tornou destino comum para o dinheiro de emergência.

Nesse caso, o Tesouro Reserva fica atrás em termos de retorno porque seu concorrente tem o chamado “spread”, ou seja, um percentual a mais pago sobre a Selic. Na última semana, essa taxa chegou a 0,0765% ao ano, conforme a plataforma do Tesouro Direto.

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Esse “prêmio” a mais, porém, faz com que o título sofra um efeito chamado de marcação a mercado, a oscilação de preços que acontece todos os dias, conforme os investidores negociam a compra e a venda do papel nas plataformas.

Como o percentual é pequeno, a marcação a mercado do Tesouro Selic é menos perceptível. Mesmo assim, em momentos de grande estresse, o investidor pode ver alguma oscilação do saldo, o que não acontece no Tesouro Reserva.

Em produtos destinados à reserva de emergência, especialistas destacam cuidado com impostos e a forma como são cobrados.

Para o planejador financeiro Gustavo Jarzinski, o maior vilão é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que incide sobre resgates feitos em menos de 30 dias. A alíquota começa com 96% sobre o rendimento em um dia e é zerada após o 30º dia.

“A reserva deve ser pensada e organizada. Não é um dinheiro que deve ser usado para cobrir uma fatura ou uma conta que simplesmente passou despercebida”, afirma.

Para fazer frente a situações como essa, valores pequenos do dia a dia, que representam pouco do patrimônio total do investidor, podem ser destinados às caixinhas e contas remuneradas, desde que ofereçam retornos adequados à finalidade do produto, perto de 100% do CDI.



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