Com a chegada das temperaturas mais baixas, as pessoas reforçam os cuidados com a própria saúde para enfrentar o frio. Mas os animais de estimação também sofrem os impactos da estação e exigem atenção especial dos tutores. Segundo o professor do curso de Medicina Veterinária da Wyden, Thiago Fernandes, as mudanças de temperatura típicas do inverno podem afetar diretamente o bem-estar e a saúde dos pets.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do crescimento da população pet no Brasil. De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), o país ultrapassou a marca de 160 milhões de animais de estimação em 2025, mantendo-se entre os maiores mercados pet do mundo. Já a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) estima que mais de 72% dos lares brasileiros possuem pelo menos um animal de estimação.
“Assim como acontece com os seres humanos, as temperaturas mais baixas provocam alterações fisiológicas nos animais. Filhotes, idosos e pets com doenças crônicas são os mais vulneráveis e precisam de atenção redobrada, bem como alterações no consumo de água e alimento”, explica Thiago.
Como identificar se o pet está sentindo frio
Os sinais variam conforme a espécie. Nos cães, é comum observar tremores, busca por locais fechados, postura encolhida e menor disposição para atividades físicas. Já os gatos costumam procurar esconderijos e superfícies aquecidas para conservar o calor corporal.
A recomendação é manter os animais em ambientes protegidos de correntes de vento e com camas confortáveis. Roupinhas podem ser utilizadas, principalmente em cães de pequeno porte, idosos ou de pelagem curta, desde que não comprometam a mobilidade.
“Os tutores devem observar as extremidades do corpo, como patas e orelhas. Se estiverem muito frias, pode ser necessário oferecer mais aquecimento ao animal”, orienta o veterinário.
*Banhos e passeios exigem adaptações*
Durante o inverno, os banhos não precisam ser suspensos, mas alguns cuidados são essenciais. O ideal é realizá-los nos horários mais quentes do dia e garantir a secagem completa dos pelos para evitar problemas respiratórios e dermatológicos.
Nos passeios, a recomendação é evitar os períodos de menor temperatura, especialmente no início da manhã e à noite.
Outro ponto importante é a manutenção da higiene dos ambientes, camas, mantas e utensílios dos animais. Ambientes fechados e com pouca ventilação favorecem a proliferação de fungos, bactérias e ácaros.
Hidratação merece atenção especial
Um erro comum dos tutores durante o inverno é acreditar que os animais precisam beber menos água. Na prática, a hidratação continua sendo fundamental para a saúde dos pets.
Dados da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) mostram que a redução espontânea do consumo de água é comum em períodos mais frios, aumentando o risco de problemas urinários e renais, especialmente em gatos.
“Oferecer água fresca várias vezes ao dia, estimular o consumo com fontes e incluir alimentos úmidos na rotina pode ajudar a manter uma hidratação adequada. Se possível, também é importante observar se o xixi está mais concentrado e a frequência com que o animal urina”, recomenda Thiago.
Doenças respiratórias aumentam no inverno
As doenças respiratórias estão entre os principais problemas veterinários observados nesta época do ano, o clima mais frio e por vezes seco cria um ambiente mais propício para agentes oportunistas.
Tosse, espirros, secreção nasal ou ocular, apatia e perda de apetite são alguns dos sinais que exigem avaliação veterinária.
“A vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção. Muitas doenças respiratórias podem ser evitadas ou ter seus sintomas significativamente reduzidos quando o protocolo vacinal está em dia”, afirma o especialista.
Frio também agrava dores articulares
Além dos problemas respiratórios, o inverno costuma agravar quadros de artrite, artrose e outras doenças osteoarticulares, especialmente em animais idosos ou com sobrepeso, que merecem uma atenção especial.
Segundo levantamento da American Animal Hospital Association (AAHA), cerca de 20% dos cães adultos apresentam algum grau de osteoartrite. Por isso, é necessário um olhar especial dos tutores nesses casos: se estão caminhando com mais dificuldade e se estão ingerindo alimento e água adequadamente.
Para minimizar o desconforto, a orientação é manter atividades físicas moderadas e adaptar o ambiente doméstico com tapetes antiderrapantes, rampas ou escadas de acesso para camas e sofás.
*Outras espécies também exigem cuidados*
Os cuidados durante o inverno não se limitam a cães e gatos.
Roedores devem ser mantidos longe de correntes de ar e contar com materiais que auxiliem no isolamento térmico das gaiolas.
Aves precisam de proteção contra ventos e mudanças bruscas de temperatura. Quando sentem frio, costumam permanecer com as penas eriçadas por períodos prolongados.
Já os répteis dependem de sistemas adequados de aquecimento e controle de umidade nos terrários. Como são animais ectotérmicos, as baixas temperaturas podem comprometer o metabolismo e até a alimentação.
No caso dos peixes, o monitoramento da temperatura da água continua sendo uma das principais medidas preventivas.
“Cada espécie possui necessidades específicas. Por isso, qualquer alteração de comportamento ou sinal de desconforto deve ser reconhecido pelo tutor, que deve buscar avaliação de um Médico Veterinário. A prevenção continua sendo o melhor caminho para garantir saúde e bem-estar durante o inverno”, finaliza Thiago.

Posted inUltimas noticias

