A Prefeitura de Correia Pinto, cidade de 16 mil habitantes na serra catarinense, interditou um hospital localizado no topo de um morro após recomendação do Ministério Público de Santa Catarina.
Estudos técnicos realizados pela Defesa Civil apontaram risco geológico elevado na área onde está localizado o Hospital Faustino Riscarolli, uma unidade de saúde com 16 leitos que estavam ocupados no momento da interdição.
Os pacientes foram transferidos na sexta-feira (3) para uma unidade básica de saúde localizada no centro da cidade. Após adequações necessárias, a estrutura será instalada em outra unidade de saúde, no bairro Planalto, até a inauguração de um novo hospital.
Em recomendação expedida na quinta-feira (2), o Ministério Público fixou um prazo de 24 horas para a interdição, a partir de investigações realizadas em um inquérito civil sobre as condições estruturais do hospital.
O imóvel fica em uma encosta classificada no nível R4, o grau máximo de risco para deslizamentos. O prédio tem trincas, fraturas no solo e outros sinais de instabilidade agravados por chuvas recentes.
Segundo parecer da Defesa Civil, produzido a partir de vistoria realizada no dia 8 de junho, não há segurança para o funcionamento do hospital no terreno. A situação é acompanhada desde 2024 e o último estudo técnico concluiu que há o risco de um desastre geológico em andamento.
As imagens que acompanham o laudo mostram o avanço de trincas e fraturas no solo, o rompimento e a deformação da escadaria de acesso à unidade hospitalar e grandes rachaduras na laje de rocha abaixo da edificação.
Segundo os técnicos da Defesa Civil, esses elementos mostram a progressão do processo de instabilidade e reforçam a necessidade de adoção imediata das medidas para preservar a integridade da estrutura e proteger vidas.
De acordo com o parecer, a instabilidade pode se agravar rapidamente em caso de chuvas intensas e prolongadas no município.
“Os laudos técnicos demonstraram que a instabilidade do terreno evoluiu e representa um risco concreto à integridade física de pacientes, profissionais da saúde, visitantes e de todos que circulam pelo local”, disse a promotora de Justiça Camila da Silva Tognon.
Desde sexta-feira o atendimento hospitalar para a população é realizado na unidade de saúde da região central da cidade, com a transferência de médicos, equipe de enfermagem e serviços essenciais.
A prefeitura afirma que um novo hospital será construído em uma área geologicamente segura, no bairro Pró-Flor. Será uma unidade com 3,3 mil metros quadrados de área construída, com projeto arquitetônico já aprovado pela Vigilância Sanitária.
A administração municipal aguarda o laudo ambiental para concluir o licenciamento e abrir a licitação para a construção do novo prédio.


