O patriotismo mexe com o lado mais emocional do cérebro. Ele aciona memória, pertencimento, infância, família, rua, bairro, bandeira, música, comida, festa, grito, lágrima. Torcer pelo Brasil nunca foi apenas assistir a um jogo. É revisitar uma parte da nossa identidade.Mas futebol de alto nível também é xadrez.Exige leitura, estratégia, frieza, adaptação, repertório, coragem para mudar e humildade para reconhecer quando o outro entendeu melhor o tabuleiro. O problema é que, enquanto o jogo pede cálculo, a arquibancada pede catarse. Enquanto o campo exige paciência, a torcida exige destino. Enquanto a bola cobra lucidez, o país inteiro cobra milagre.E, claro, somos mais de 200 milhões de técnicos.Todo mundo sabe quem deveria ter começado jogando, quem deveria ter sido substituído, qual esquema resolveria o problema, qual jogador “amarelou”, qual treinador não entendeu nada e qual decisão mudaria a história. Essa é uma das belezas do futebol, ele democratiza a opinião, mas é também uma de suas armadilhas, ele nos dá a sensação de que todo problema complexo tem uma solução simples, imediata e óbvia.Não tem. Nem no futebol, nem na política, nem na economia, nem na vida pública.
Créditos

Posted inCaruaru e Região

