Escultura é vandalizada 20 dias após restauração no Rio - 10/07/2026 - Cotidiano

Escultura é vandalizada 20 dias após restauração no Rio – 10/07/2026 – Cotidiano

Vinte dias após voltar à lagoa Rodrigo de Freitas depois de um processo de restauração, a escultura de bronze Curumim da Lagoa foi mais uma vez alvo de vandalismo no Rio de Janeiro.

Segundo a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos do Rio, o arco que faz parte da obra foi furtado após uma revitalização que custou R$ 50 mil aos cofres públicos.

O restauro havia sido realizado em parceria com o artista plástico Luiz Augusto Correia de Araújo, filho do criador da estátua, Pedro Correia de Araújo, morto aos 90 anos em julho de 2019.

“Todo esse esforço técnico e financeiro foi destruído em minutos”, lamentou, em nota, o secretário de Conservação, Diego Vaz.

O restauro do Curumim, um dos monumentos mais conhecidos do Rio, foi realizado após a escultura sofrer atos de vandalismo, uma situação que é repetida em outros monumentos instalados em várias regiões da cidade.

A escultura foi inaugurada em março de 1979 para o “embelezamento da lagoa Rodrigo de Freitas”, segundo reportagem publicada pelo Jornal do Brasil na época.

Com 1,95 metro e instalada em uma pedra nas proximidades do estádio de remo do Vasco, ela representa um jovem indígena pescando com arco e flecha, em uma homenagem aos moradores originários da região.

A estátua foi doada por uma empresa que realizou obras de urbanização e saneamento da lagoa.

De acordo com o site Monumentos Rio, a obra já havia sido alvo de vandalismo em 2005, 2007 e 2008 e foi reinstalada em setembro de 2011, antes de sofrer novos danos.

“Confesso que dói. Não apenas porque meu pai foi o artista que deu forma àquela obra, mas porque ela representa muito mais do que bronze. Representa uma parte da memória da nossa cidade”, disse Luiz Augusto, especialista em esculpir peixes.

“Meu pai me deixou muito mais do que esculturas. Deixou uma forma de olhar para o mundo. E heranças assim ninguém consegue vandalizar”.

Há duas semanas, quando a escultura havia sido reinstalada, o escultor comemorou o reencontro com uma parte da história do pai e de sua própria trajetória.

“A arte tem esse poder: atravessa o tempo, conecta gerações e mantém vivo um legado”, disse na ocasião.

Em março deste ano, a estátua em homenagem ao ex-jogador Zico, em Quintino Bocaiúva, na zona norte, foi pichada em uma madrugada, no quarto caso de vandalismo a monumentos em 2026.

Criada pelo artista Mário Pitanguy, a homenagem ao atleta foi inaugurada em 2024 e está localizada na praça Quintino Bocaiúva. A obra passou por um processo de limpeza e continua no local.

Em janeiro, o busto de Cândido Mendes, que havia sido furtado da praça Paris, na Glória, foi recuperado e devolvido à prefeitura após uma semana de desaparecimento.

Produzido em bronze em 1995, o busto era um dos 16 monumentos instalados na praça e está sob a guarda da Secretaria de Conservação.

No ano passado, ao menos 16 obras foram atacadas no Rio, entre elas o monumento ao compositor Noel Rosa, no Largo do Maracanã, zona norte, que precisou ser içado com o apoio de um caminhão munck para ser restaurado.

Segundo a secretaria responsável, furtaram a garrafa que ficava sobre a mesa e os pés das cadeiras do monumento. Além disso, a mão da escultura do garçom sofreu danos e estava trincada, em um indício de que também foi alvo de tentativa de furto.

O conjunto, criado pelo artista Joás Pereira dos Passos, reproduz a cena de “Conversa de Botequim”, um dos sambas mais conhecidos do compositor, retratado sentado em uma mesa e servido por um garçom.

“A pena para dano ao patrimônio público é muito branda. Precisamos de leis federais mais severas. Temos diversos casos inclusive identificando os infratores que não são devidamente punidos e continuam agindo à margem da lei”, afirmou Diego Vaz.



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