Homem resgatado no Pará dividia alojamento com bois e porcos - 23/07/2026 - Economia

Homem resgatado no Pará dividia alojamento com bois e porcos – 23/07/2026 – Economia

Um trabalhador de 65 anos foi resgatado pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério Público do Trabalho do Pará e do Amapá vivendo há oito anos em uma moradia precária, cercado por animais, sem acesso adequado à alimentação e água potável em uma fazenda localizada na estação ecológica Terra do Meio, em Altamira, no Pará.

Segundo o órgão, o homem era submetido a condições análogas à escravidão.

A ação, realizada no dia 14 na unidade de conservação federal, contou também com as participações da Polícia Federal, da Defensoria Pública da União e da Auditoria Fiscal do Trabalho.

O homem vai receber indenização de R$ 120 mil após a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).

O local é de difícil acesso e foi preciso usar um helicóptero da Polícia Federal para realizar o resgate.

Segundo os fiscais, o trabalhador estava na fazenda desde 2018 e vivia isolado em situação de extrema vulnerabilidade e violação de direitos. Ele morava em um barraco de madeira com a maior parte do chão de terra batida e frestas nas paredes. Além disso, dividia o espaço com bois e porcos, que circulavam pela moradia.

A vítima comia apenas uma vez por dia e apresentava sinais de desnutrição. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a água para consumo, banho e preparo de alimentos era barrenta e retirada do rio Pardo.

A fiscalização também constatou a exposição a animais silvestres, principalmente onças, comuns na região.

As investigações apontam que o abandono gradual da propriedade começou após ações de fiscalização ambiental, com a retirada de parte do rebanho do local.

O homem de 65 anos foi mantido no local para cuidar do gado e dos porcos que sobraram. Ele também temia perder os direitos trabalhistas.

O empregador, que não teve o nome divulgado, pagava o salário e fornecia alimentos, por meio de encarregados. No entanto, a alimentação foi considerada insuficiente -não incluía proteína, por exemplo.O trabalhador viajava até São Félix do Xingu, sua cidade de origem, duas vezes ao ano. No resto do tempo, ficava isolado com os animais na fazenda.

O homem recebeu atendimento médico, psicológico e assistência social em Altamira. Ele foi levado para um abrigo e deve ser encaminhado para Imperatriz, no Maranhão, onde moram familiares com quem não tinha contato há vários anos.



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