PF aponta não haver cocaína em maior apreensão da Receita - 28/07/2026 - Cotidiano

PF aponta não haver cocaína em maior apreensão da Receita – 28/07/2026 – Cotidiano

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à retenção de um carregamento de madeira suspeito de esconder cocaína, após laudos periciais concluírem até o momento que não havia vestígios da droga nem de qualquer outra substância ilícita na carga.

Em junho deste ano, a Receita Federal deflagrou a Operação Timber Shield (“Escudo de Madeira”, em tradução livre), que reteve oito caminhões transportando cerca de 260 toneladas de madeira sob a suspeita de ocultar cocaína. A ação foi realizada em cooperação com autoridades dos Estados Unidos e com a Aduana Nacional da Bolívia.

Na avaliação inicial da Receita, havia indícios de que o carregamento poderia esconder entre 20 e 50 toneladas de cocaína. Caso esse volume fosse confirmado, a operação representaria a maior apreensão de drogas da história do país.

Cinco laudos periciais concluíram, até o momento, que não há vestígios de cocaína nem de outras substâncias ilícitas na carga. Outros exames ainda aguardam conclusão.

A Polícia Federal investiga as circunstâncias que levaram à apreensão da carga de madeira. A principal linha de apuração busca esclarecer se houve, de fato, tráfico internacional de drogas, inclusive verificando a veracidade da informação de que a madeira estaria impregnada com cocaína.

Os investigadores também pretendem identificar a origem das informações que embasaram a divulgação da suposta carga de droga, quem as forneceu e com qual finalidade, diante da ausência, até o momento, de indícios materiais de cocaína nas amostras analisadas.

Além disso, o inquérito apura a eventual prática de comunicação falsa de crime, possíveis crimes ambientais relacionados à carga de madeira e outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.

Como mostrou a Folha, os agentes da Receita detectaram que a carga estava ingressando no Brasil, e a operação foi deflagrada nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), ambas na fronteira com a Bolívia.

Segundo a Receita, uma perícia preliminar tinha resultado positivo para a presença da droga. Estimava-se que entre 10% e 20% do peso total da carga correspondia a cocaína, com base em outras investigações envolvendo o mesmo método de ocultação.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a publicar que a partir de informações de inteligência compartilhadas, a Receita Federal intensificou a fiscalização na fronteira e reteve a carga de madeira.

“A operação reflete a integração Brasil-EUA no combate ao crime, com troca de informações de inteligência”, publicou na ocasião Durigan.



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