“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade.”
O parágrafo acima foi postado no X pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à reeleição. Não é apenas retórica, há uma proposta, um desafio. O que diriam os simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL)? Apoiariam ou teriam receio de que, tudo às claras, o caso Alexandre de Moraes viesse a perder a dimensão que ganhou com as estarrecedoras revelações sobre sua relação com Vorcaro?
Flávio e seus aliados vêm surfando na onda contra Moraes. Natural. Não tardou, porém, para que André Mendonça começasse a ser questionado por certo favorecimento eleitoral ao candidato bolsonarista. Chegou a afastar o diretor da Polícia Federal —medida acertadamente refreada por Edson Fachin, presidente do STF, finalmente em cena.
Não se trata de aliviar Moraes, com sua conhecida índole de justiceiro, seu ex-inquérito das fake news, o contrato indefensável de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de sua mulher e a promiscuidade sugerida pelas mensagens trocadas com Vorcaro que vieram a público. Ele que responda por seus atos e pague por seus desvios.
A questão é outra e não desaparece com considerações pueris sobre “falsas equivalências”, perversões cartoriais luso-brasileirinhas sobre brasões e cabeçalhos em relatórios internos da PF ou simplificações sobre conteúdo e forma na atuação de magistrados.
Ainda que se admita, por hipótese, ser Moraes o mais deplorável dos corruptos, isso não transformaria Mendonça em exemplo de imparcialidade e técnica neutra. Ele escorregou como agente político-eleitoral em suas decisões, que repetiram, diga-se, erros anteriormente apontados em seu oponente.
Não resistiu, além do mais, à vaidade justiceira messiânica com um vídeo de tom político-religioso no qual, como um jogador de futebol com diploma em direito, agradece pelas preces, pelo apoio de seus colegas e a Deus pela vitória. Comportou-se como enviado celeste a proteger o filho de seu antigo chefe, o golpista condenado Jair Bolsonaro.
“Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal. Sim, Ele abriu a minha visão, e eu o vi entrando com uma nuvem branca sobre a sua cabeça”, postou Michelle Bolsonaro, que se referiu ao magistrado como escolhido e ungido do Senhor.
FolhaJus
A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha
Parafraseando Leonel Brizola sobre Paulo Maluf, podemos dizer que Mendonça é um filhote do golpismo. Foi levado ao Supremo por Bolsonaro após substituir no Ministério da Justiça Sergio Moro, que pedira demissão pelo fato de o presidente pretender interferir na Polícia Federal.
Esperemos agora —não vejo a hora de estourar o milho da pipoca— a sessão convocada por Fachin. Com o contra-ataque de Flávio Dino, promete animação de debate eleitoral. Muito ainda precisa ser feito para reformar o STF, bem como para esclarecer as conexões corruptas de Vorcaro com personagens da República.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.


