O Brasil atingiu a cota de carne bovina estabelecida pela China em salvaguarda divulgada no final do ano passado, e os carregamentos da commodity brasileira que desembarcarem nos portos chineses terão sobretaxa de 55% pelo resto do ano.
A medida passa a valer no dia 1º de outubro, segundo o Ministério do Comércio chinês. Além da sobretaxa, é cobrado ainda uma de tarifa de importação correspondente a 12%.
Tanto o governo brasileiro como o setor já esperavam que a cota fosse alcançada antes do fim do ano, uma vez que o teto anual do produto brasileiro estabelecido por Pequim corresponde a apenas 65% da quantidade exportada ao país em 2025.
O regime chinês determinou que a taxação passaria a valer quando o Brasil atingisse 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões.
Para reduzir os prejuízos, frigoríficos colocaram um freio na produção, determinando férias coletivas para funcionários e paralisações temporárias em plantas, por exemplo.
Após o estabelecimento da cota, o governo brasileiro entrou em rodadas de negociações com as autoridades chinesas buscando alternativas para mitigar os efeitos sobre o setor. Um dos pedidos era que Pequim redistribuísse as cotas remanescentes de carne bovina de países que não utilizassem seu montante na totalidade, o que foi negado, conforme mostrou a Folha.
Folha Mercado
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A salvaguarda foi aplicada com o objetivo de diminuir danos às indústrias nacionais que estariam sendo afetadas pelo aumento da entrada de carne importada no mercado chinês. A medida, que afeta diversos países, poupa apenas nações em desenvolvimento com uma fatia de até 3% do total importado pela China, e desde que a soma do grupo não ultrapasse 9%.
A determinação também faz parte de um movimento mais amplo do regime chinês de diminuir sua dependência de poucos fornecedores. Hoje, o Brasil é a principal origem de itens indispensáveis ao país, como a carne bovina e a soja.
A China tem salientado com frequência que a diversificação de fornecedores é parte de sua estratégia para garantir a segurança alimentar, o que tem acendido o alerta no governo brasileiro e no setor agropecuário.
A corrida agora é para que compradores alternativos supram, ao menos em parte, o vácuo deixado pelos chineses, uma vez que a salvaguarda vale até 2028. O nome que aparece primeiro é o dos Estados Unidos, onde a queda do rebanho e a demanda firme obrigam o país a buscar carne fora para se abastecer. Outras possibilidades, como a Coreia do Sul, também são negociadas.
Um exemplo do esforço brasileiro foi a habilitação de 21 frigoríficos de carne bovina para exportar à Indonésia, uma tratativa que foi anunciada pelo Ministério da Agricultura na quinta-feira (10). Agora são 73 plantas brasileiras habilitadas a atender ao mercado indonésio.


