Para Deniza, o desafio não é só de linguagem, mas de método. Ela disse que o campo de Flávio Bolsonaro (PL) “trabalhou construindo uma grande comunidade de apoiadores e mobilizadores” no digital, enquanto o grupo de Lula insistiu em um modelo mais tradicional.Durante quatro anos o campo do Flávio trabalhou construindo uma grande comunidade de apoiadores e mobilizadores, principalmente ali no digital. Eles entenderam a dinâmica do digital de forma profunda, enquanto o campo do presidente Lula passou quatro anos ainda insistindo no modelo muito tradicional de conversa e de campanha e de apresentar os resultados do governo.Deniza GurgelEla também afirmou que a narrativa de “antissistema” tende a não funcionar para Lula, que tenta o quarto mandato. Na avaliação da estrategista, o eleitor que busca “mudança” pode aceitar com mais facilidade o argumento de que Flávio “nunca foi presidente”.É muito fácil para o Flávio colar a ideia de que o Lula é sistema e de que ele é a mudança, porque, para o eleitor, o Flávio nunca foi presidente; o Lula já foi presidente três vezes e está indo para um quarto mandato. Então, quando a gente pensa em mudança, a gente está pensando em algo que é diferente do que a gente já tem.Deniza GurgelDeniza disse ainda que a campanha precisa abandonar a cobrança moral sobre o eleitor. Segundo ela, parte do discurso passa a ideia de que determinados grupos “teriam obrigação” de votar em Lula, o que pode afastar em vez de aproximar.Vir com essa narrativa, esse discurso: ‘Meu Deus, como é que você não vota no Lula? Você é pobre, você é negro, você é gay…’. E aí começa ali a elencar um monte de coisas que te obrigariam a votar no Lula. Eu não sou obrigada a nada. Você não sabe onde que, de fato, está doendo ali. O que eu estou sofrendo? O que mais está me angustiando?Deniza Gurgel
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