A Polícia Federal descobriu, em busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, a prova documental de que o ex-juiz Sergio Moro grampeou conversas de delatores com autoridades que só poderiam ser investigadas e julgadas por tribunais superiores.A informação foi revelada pela repórter e colunista do UOL Daniela Lima, que teve acesso à íntegra do grampo feito em 2005 ao então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Heinz Herwig, e ao despacho judicial, que comprovam a ordem de monitoramento.Neste episódio do podcast UOL Prime, Daniela Lima conta ao apresentador José Roberto de Toledo sobre o que há no material apreendido e investigado pela PF, como a transcrição de escutas e relatórios de inteligência escondidos por 20 anos nas gavetas da 13ª Vara Federal de Curitiba. Parte relevante desse material nunca foi juntada aos autos. “Ainda pior do que extrapolar seus poderes é não agir conforme a lei quando esses grampos revelam crimes”, comenta Toledo. “Os próprios delatores acusam o juiz de mandá-los fazer os grampos não para processar as autoridades, mas para chantageá-las.”O material veio à tona após a ordem de busca e apreensão expedida pelo ministro Dias Toffoli —a primeira já realizada em uma Vara Federal— depois de sucessivas solicitações do Supremo Tribunal Federal por documentos, fitas e gravações que não haviam sido encaminhados à Corte, mesmo após a saída de Moro da magistratura.O primeiro a levar as queixas ao Supremo foi o ex-deputado estadual Tony Garcia, que firmou acordo de delação premiada com Moro há 21 anos após passar cerca de 30 dias preso.”Tony Garcia sai da cadeia e passa a prestar contas (ao ex-juiz Sergio Moro) em tempo integral. Ele era mais do que um delator, era um informante”, afirma Daniela Lima.”Um policial federal foi colocado no escritório de Tony Garcia em Curitiba. A ele cabia supervisionar as atividades do ex-deputado e instalar escutas ambientais. O escritório virou uma ‘grampolândia'”, diz a colunista.As autoridades gravadas só poderiam ser investigadas mediante autorização do STJ (Superior Tribunal de Justiça).Moro nega as acusações e afirma que se baseiam em relatos fantasiosos de criminosos condenados.O videocast UOL Prime é publicado às quintas no Spotify e no YouTube do UOL Prime. Vai ao ar na TV às sextas, às 22h30, no Canal UOL, com reprises aos sábados, às 15h30, e às terças, às 13h.
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