Quando isso ocorrer, muitas das vantagens que a UE negociou para si mesma com todo o Mercosul desaparecem automaticamente no caso da Argentina. Empresas dos Estados Unidos terão acesso privilegiado para investimentos e produtos. Padrões americanos serão aplicados. O acesso a terras raras e minerais críticos é garantido. Todas essas são áreas em que a UE esperava obter acesso preferencial por meio do acordo.Em segundo lugar, é possível que o acordo bilateral entre a Argentina e os Estados Unidos imploda todo o Mercosul. Afinal, segundo os seus estatutos, a comunidade econômica sul-americana, na condição de união aduaneira, deve negociar em conjunto com novos países parceiros. Além disso, as tarifas externas devem ser definidas por consenso.Para o ex-secretário de Comércio Exterior Lucas Ferraz, os recentes acontecimentos colocam em risco a existência do Mercosul. “O Mercosul está na UTI”, declarou ao jornal Valor Econômico.Brasil agora resisteO terceiro aspecto é que Bruxelas deposita suas esperanças nos parlamentos sul-americanos. A Comissão Europeia pretende aplicar provisoriamente a seção comercial do acordo assim que o primeiro país do Mercosul concluir o processo de ratificação. Isso de fato pode acontecer em breve. A Câmara dos Deputados da Argentina foi a primeira legislatura do Mercosul a aprovar o acordo. Agora, só falta o Senado fazê-lo.Porém, justamente no Brasil, a entrada em vigor está encontrando resistência inesperada. O Congresso Nacional rejeitou, por ora, a rápida ratificação esperada pelo governo. Uma comissão decidirá se cláusulas de salvaguarda semelhantes às dos agricultores europeus, previstas no protocolo adicional, devem ser introduzidas para os agricultores do Mercosul.
Créditos

Posted inCaruaru e Região

