Advogado homenageia golpe de 64 em sessão; veja vídeo - 05/04/2026 - Mônica Bergamo

Advogado homenageia golpe de 64 em sessão; veja vídeo – 05/04/2026 – Mônica Bergamo

O CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos) acionou a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o TJ-PB (Tribunal de Justiça da Paraíba) para solicitar que um advogado e um magistrado sejam investigados por homenagearem o golpe militar de 1964 durante sessão online da Câmara Criminal da corte.

O episódio ocorreu no dia 31 de março, data que ficou marcada como o início do período militar no Brasil.

Na ocasião, o juiz convocado Marcos Salles fez um comentário sobre a roupa usada pelo advogado Abraão Beltrão. “Além de se postar ao lado da bandeira, também traja um paletó e uma gravata verde oliva, talvez fazendo referência ao 31 de março”, disse o magistrado.

Posteriormente, o advogado João Estrela afirmou: “Quero me acostar ao posicionamento do doutor Abraão Beltrão em favor da revolução de 31 de março. Não estou vestido a caráter, mas me associo a ele.” Abraão deu risada e não negou a associação.

Responsável pela Relatoria de Memória e Verdade do CNDH, o advogado Carlos Nicodemos afirma que o comportamento “é inaceitável no campo jurídico e institucional”. “O Estado de Direito e a democracia não comportam apologia a regimes ditatoriais e violadores de direitos humanos”, diz ele à coluna.

Procurado, o TJ-PB e João Estrela não se manifestaram até a publicação deste texto. Já o presidente da seccional da Paraíba da OAB, Harrison Targino, condenou a declaração do advogado. “A infeliz afirmação é dissonante de todo o posicionamento histórico da OAB que sempre foi e é comprometida com a afirmação do estado democrático de direito. Só na democracia a advocacia pode atuar livremente”, afirmou.

O juiz Marcos Salles não foi localizado.

No pedido de investigação apresentado ao TJ-PB, o conselho afirma que a “referência elogiosa” feita pelo juiz ao golpe militar indica uma adesão simbólica ao período “em contexto incompatível com os deveres de sobriedade, imparcialidade e compromisso institucional da magistratura’.

O órgão questiona ainda se a corte instaurou procedimento para investigação do que ocorreu na sessão. “Na hipótese de inexistência de providências, o CNDH solicita que sejam adotadas as medidas cabíveis para apuração rigorosa dos fatos, considerando a gravidade institucional do episódio”, afirma trecho do documento.

À seccional da OAB na Paraíba, o conselho cobra a adoção de medidas contra o advogado. “A manifestação de apoio a um período histórico reconhecido por reiteradas violações de direitos humanos e ruptura institucional pode configurar afronta aos princípios que regem a profissão”, diz o pedido. O conselho afirma que isso compromete o papel da advocacia como função essencial à justiça e à preservação do regime democrático.

Ambos os pedidos são assinados pela presidente do CNDH, Ivana Claudia Leal de Souza.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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