Milhões de toneladas de soja americana podem ser compradas pela China nos próximos meses. A informação foi publicada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu perfil na rede social Truth Social após um telefonema com o líder do regime chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira (4).
Na conversa, que foi classificada pelo americano como “excelente”, Trump afirma que Pequim considera comprar 20 milhões de toneladas do grão nesta temporada, elevando o previsto de 12 milhões, e se compromete com a compra de 25 milhões de toneladas na próxima.
“A relação com a China, e minha relação pessoal com o presidente Xi, é extremamente boa, e ambos reconhecemos o quanto é importante mantê-la dessa forma”, escreveu Trump.
As informações publicadas pelo Ministério das Relações Exteriores da China sobre a conversa não mencionam o suposto compromisso.
Segundo Trump, os líderes também discutiram a compra de petróleo e gás americanos pela China, a situação do Irã, a entrega de motores de aeronaves por empresas dos EUA e a questão de Taiwan.
A compra de soja tem sido tema frequente nas relações bilaterais entre os países, uma vez que o lado asiático pausou a compra do grão por quatro meses em 2025 como forma de pressionar os americanos pelas tarifas impostas por Trump.
Folha Mercado
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A primeira trégua entre os países ocorreu em outubro, quando os líderes se encontraram na Coreia do Sul e concordaram, principalmente, com a redução das taxas. Em novembro, um telefonema entre Trump e Xi reforçou os acordos e, um dia depois, a agência Reuters noticiou, citando fontes anônimas, a compra de dez cargas de soja americana pelos chineses, em um contrato que valeria cerca de US$ 300 milhões.
Desde o início da trégua, o país asiático comprou cerca de 12 milhões de toneladas de soja americana, segundo a agência, o que responderia antecipadamente a um pedido de Washington para que essa quantidade fosse adquirida até o fim de fevereiro.
Ao menos parte da encomenda será entregue entre os meses de março e maio, no pico da colheita brasileira. Os grãos americanos foram comprados pelas estatais chinesas Sinograin e COFCO, enquanto outras empresas privadas seguiriam priorizando commodities mais baratas vindas de países da América do Sul, como o Brasil.
A compra do grão americano pela China tem acendido o alerta de autoridades brasileiras desde o início da trégua entre Xi e Trump, em outubro. Um documento do Ministério da Fazenda afirma que incertezas persistem mesmo após a conversa entre os líderes.
“A China concordou em retomar as compras de soja americana e em adiar por um ano as restrições à exportação de terras raras e outros insumos estratégicos”, diz o documento. “Embora a trégua ajude a aliviar as tensões comerciais no curto prazo, não elimina o risco de novas rodadas de conflitos.”


