O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Bin, disse nesta terça-feira (10) que, “se as Forças Armadas da ‘independência de Taiwan’ ousarem provocar um conflito, serão inevitavelmente aniquiladas”, em mais uma ameaça à ilha com governo autônomo que Pequim considera parte inalienável de seu território.
A declaração ocorre no mesmo dia em que Wang Huning, um dos principais líderes do Partido Comunista Chinês, afirmou que Pequim vai oferecer firme apoio às “forças patrióticas pró-reunificação”. A fala se deu na “Conferência de Trabalho de Taiwan”, encontro anual que define o tom da política chinesa em relação à ilha.
Wang afirmou ainda, de acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, que as autoridades devem promover a “grande causa da reunificação nacional” e que é necessário “apoiar firmemente as forças patrióticas pró-unificação na ilha, combater resolutamente as forças separatistas da ‘independência de Taiwan’, opor-se à interferência de forças externas e salvaguardar a paz e a estabilidade” no território.
O governo de Taiwan respondeu que as declarações de Wang apenas repetem o discurso chinês de sempre. O “objetivo final da China é eliminar a República da China [nome oficial de Taiwan] e promover a unificação”, afirmou em um comunicado o Conselho de Assuntos Continentais do território, responsável pela política em relação a Pequim.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Embora a reportagem da Xinhua não tenha mencionado o uso da força, a China nunca renunciou ao uso de meios militares para colocar Taiwan sob seu controle.
Há muito, a China oferece a Taiwan um modelo de autonomia nos moldes de Hong Kong, chamado de “um país, dois sistemas”. Apesar disso, nenhum grande partido político taiwanês apoia essa proposta, e o governo da ilha afirma que o domínio de Pequim na ex-colônia britânica só trouxe repressão.
Também nesta terça, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, citou a condenação de Jimmy Lai, magnata de Hong Kong, a 20 anos de prisão, anunciada na véspera. “A condenação de Jimmy Lai expõe a lei de segurança nacional de Hong Kong pelo que ela é: uma ferramenta de perseguição política sob o princípio chinês de ‘um país, dois sistemas’, que atropela os direitos humanos e a liberdade de imprensa”, escreveu Lai na rede social X.
Pequim tem alertado repetidamente outros países, incluindo os Estados Unidos, contra a interferência na questão de Taiwan, que, segundo o regime chinês, é um assunto interno.
Em uma ligação telefônica com o presidente americano, Donald Trump, na semana passada, o líder chinês, Xi Jinping, afirmou que Taiwan era a questão mais importante nas relações sino-americanas e que Washington deveria lidar com a venda de armas para a ilha com prudência.
As declarações de Wang ocorrem apenas uma semana após ele se reunir com uma delegação do maior partido de oposição de Taiwan, o Kuomintang. Em declarações à imprensa nesta terça, em Taipei, o vice-presidente da sigla, Hsiao Hsu-tsen, disse que não houve discussão sobre questões políticas durante o encontro com Wang, já que a viagem tinha como objetivo discutir temas como turismo e inteligência artificial.


