EUA: Juíza ordena novo julgamento em caso Tyre Nichols - 28/08/2025 - Mundo

EUA: Juíza ordena novo julgamento em caso Tyre Nichols – 28/08/2025 – Mundo

Uma juíza federal dos Estados Unidos ordenou nesta quinta-feira (28) que um novo julgamento seja realizado para três ex-policiais de Memphis que haviam sido absolvidos das principais acusações no caso da morte por espancamento de Tyre Nichols, um homem negro de 29 anos, em 2023, em um tribunal estadual.

Em maio, um júri federal absolveu os ex-policiais da acusação mais grave, de que haviam violado os direitos civis de Nichols ao causar sua morte. O júri, porém, considerou os réus culpados de acusações federais de manipulação de testemunhas.

A juíza Sheryl Lipman, designada para o caso, citou preocupações relativas à parcialidade do juiz anterior, Mark Norris, apontando comentários feitos por ele posteriormente à decisão tomada em que sugeria que um dos réus era membro de uma gangue.

Apenas dias antes de os três homens serem sentenciados, o juiz Mark Norris abruptamente se recusou a continuar no caso.

Documentos judiciais revelados nesta quinta-feira, bem como a ordem judicial, mostram que os réus solicitaram um novo julgamento após o escritório do procurador dos EUA divulgar conversas que ocorreram depois do veredicto.

Um dos assistentes jurídicos de Norris havia sido baleado durante uma aparente tentativa de roubo de carro em outubro, dias após o veredicto, e o juiz expressou repetidamente a promotores federais sua frustração com a investigação policial e a falta de acusações federais nesse caso, de acordo com os documentos.

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Então, em uma reunião de maio com os promotores, Norris sugeriu que um dos réus no caso Nichols era membro de uma gangue, segundo os documentos. Ele continuou dizendo que a gangue poderia ter sido responsável pelo ataque a tiros contra seu assistente jurídico, porque o assistente estava hospedado na casa de outro funcionário que havia trabalhado no caso.

Esses comentários levaram uma promotora federal a lembrar de uma conversa que teve com Norris meses antes, durante a qual o juiz lhe disse que o Departamento de Polícia de Memphis estava “infiltrado até o topo com membros de gangues”, de acordo com os documentos.

Em documentos judiciais revelados nesta quinta, o Departamento de Justiça afirmou que não havia evidências de que qualquer um dos policiais acusados no caso Nichols, ou quaisquer oficiais da polícia de Memphis, fizessem parte de uma gangue.

Os três policiais pediram um novo julgamento em junho, argumentando que os comentários do juiz mostravam que ele demonstrou preconceito não apenas contra eles, mas também contra o Departamento de Polícia de Memphis.

A juíza Sheryl Lipman, que foi designada para o caso após a recusa de Norris, concedeu o pedido de um novo julgamento nesta quinta, dizendo que isso “serviria ao interesse da Justiça”.

Em sua ordem, ela disse que se o pedido tivesse sido baseado apenas na conduta de Norris durante o julgamento, “então um novo julgamento seria desnecessário”. Ela concluiu, no entanto, “o risco de parcialidade aqui é alto demais para ser constitucionalmente tolerável”.

Norris, que foi nomeado pelo presidente Donald Trump em 2018, não deu nenhuma razão para sua recusa em continuar no caso. A ordem de Lipman observa que sua decisão foi baseada na “descrição não contestada das conversas conforme apresentadas”.

Um assistente que atendeu o telefone no gabinete de Norris nesta quinta afirmou ao New York Times que o juiz não poderia comentar publicamente devido ao caso em andamento. O escritório do procurador dos EUA em Memphis, no estado de Tennessee, que havia argumentado contra um novo julgamento, não respondeu a um pedido de comentário.

Os três ex-policiais —Demetrius Haley, Tadarrius Bean e Justin Smith— tinham nova data para serem sentenciados marcada para dezembro. Outros dois ex-policiais acusados no caso Nichols —Emmitt Martin e Desmond Mills Jr.— se declararam culpados e testemunharam contra seus ex-colegas.

“A juíza Lipman fez o que era moral e eticamente correto”, disse Martin Zummach, advogado de Smith. Os advogados de Haley e Bean não responderam a um pedido de comentário.

Nichols estava dirigindo para casa após sair do trabalho no dia 7 de janeiro de 2023, quando foi parado por alguns dos policiais por acelerar para passar um sinal vermelho. Imagens de vigilância e de câmeras corporais mostraram que ele foi agressivamente arrancado do carro. Depois que ele se libertou e fugiu, os policiais alcançaram Nichols, socando-o e chutando-o enquanto ele gritava por sua mãe.

Nichols morreu três dias depois.

Todos os policiais são negros, assim como Nichols, e o caso foi visto por muitos em Memphis como mais um exemplo de tratamento brutal de pessoas negras pela polícia.

Os policiais foram demitidos logo depois, enquanto as imagens brutais horrorizaram muitos em Memphis e em todo o país. Mas o caso produziu veredictos mistos ao longo de dois julgamentos, um em tribunal estadual e outro em um federal. Os três homens mantiveram sua inocência, argumentando que o uso da força estava de acordo com seu treinamento.

Um júri de fora da cidade absolveu os policiais em maio das acusações estaduais que incluíam homicídio em segundo grau. Mas em um caso federal separado no outono passado, um júri considerou Haley, Bean e Smith culpados de uma acusação de manipulação de testemunhas. Haley também foi considerado culpado de violar os direitos civis de Nichols ao causar lesões corporais.

Pelo menos algumas das acusações federais serão revisitadas em um novo julgamento. Lipman, uma juíza nomeada por Obama que está no tribunal desde 2014, deu às partes até 15 de setembro para dizer quais acusações deveriam ir a julgamento.



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