O monitoramento do complexo penitenciário também foi intensificado, com a instalação de aproximadamente 450 câmeras, garantindo vigilância permanente. Para lidar com o perfil de alta periculosidade dos detentos, o número de agentes de segurança foi elevado, estabelecendo uma proporção de funcionários por preso muito superior à média das demais prisões francesas. Segundo os primeiros números divulgados, o estabelecimento contará com cerca de 250 vigias para 100 detentos.Por fim, visando a proteção dos próprios agentes penitenciários, foram adotadas novas regras dentro da unidade. Os funcionários agora circulam sempre em grupos de três e não portam crachás com nomes ou números de identificação, medida que busca protegê-los contra possíveis ameaças ou represálias vindas de dentro ou fora da prisão. Essas mudanças, inspiradas em modelos italianos de combate à máfia, refletem a prioridade das autoridades francesas em romper, de forma inédita, todos os laços entre os líderes do crime organizado e suas redes externas.Críticas e questionamentosA iniciativa, contudo, não está livre de controvérsias. Advogados e o Sindicato da Magistratura criticam a falta de transparência na seleção dos presos que serão enviados para a prisão de segurança máxima e alegam que a defesa tem pouco espaço para contestar as transferências. “Um dos detentos foi condenado por assalto, não por tráfico, e mesmo assim foi submetido ao regime”, denunciou a advogada Sophie Rey-Gascon.Também é contestado o retorno das “celas de alta segurança”. Esse tipo de unidade de isolamento total foi abolida na França há mais de 40 anos sob o argumento de ser ineficaz e prejudicial para os detentos.Vendin-le-Vieil já abriga nomes conhecidos, como Salah Abdeslam ? condenado à prisão perpétua pelos atentados terroristas de Paris em 2015 ? e Rédoine Faïd, famoso por múltiplas fugas espetaculares. O narcotraficante Mohamed Amra, cuja fuga sangrenta em maio deste ano causou a morte de dois agentes, também deve ser transferido para a nova prisão em breve.
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