Bad Bunny fez história ao vencer o Grammy de álbum do ano com “Debí Tirar Más Fotos” na noite deste domingo (1º). É o primeiro disco cantado em espanhol laureado na principal categoria da premiação, que realiza agora a sua 68ª edição.
O porto-riquenho derrotou, na categoria, artistas como Lady Gaga —vencedora de três estatuetas—, Kendrick Lamar —o grande premiado da noite, com cinco troféus das nove indicações— e Sabrina Carpenter, além do superpopular canadense Justin Bieber. Ele superou também Leon Thomas e Tyler, the Creator.
Bad Bunny terminou o evento com três troféus, incluindo o de melhor álbum de música urbana e melhor performance de música global, por “Eoo”. O artista se emocionou ao ter a vitória anunciada por Harry Styles, e subiu ao palco sob aplausos efusivos dos colegas na plateia.
“Porto Rico, acredite quando digo que somos mais que o tamanho da nossa população”, começou o seu discurso, agradecendo em espanhol. “Não existe nada que não possamos conquistar. Obrigado a Deus, obrigado à Academia [de Gravação], a todas as pessoas que que trabalharam nesse álbum. Obrigado, mãe, por eu ter nascido em Porto Rico, amo você.”
“Quero dedicar esse prêmio a todas as pessoas que tiveram de sair de suas casa para seguirem os seus sonhos”, continuou, em inglês, “que tiveram de deixar alguém para trás e seguir em frente.”
“Obrigado por tanto amor”, afirmou, voltando ao espa, a todos os latinos do mundo, a todos os artistas que vieram antes e que mereciam estar aqui. Muito obrigado.”
Esta edição do Grammy indicou Bad Bunny em todas as suas três principais categorias. Além de álbum, ele disputou gravação e canção do ano com “DtMF”. Este também fora um feito inédito. Billie Eilish terminou com o trofeú de canção do ano, por “Wildflower”, enquanto Kendrick Lamar e SZA ficaram com o de gravação do ano, por “Luther”.
Bad Bunny foi ainda o primeiro a conseguir indicação a álbum do ano com uma obra em espanhol. Ele fez isso duas vezes, antes com “Un Verano Sin Ti”, em 2023.
Mais cedo na noite, o porto-riquenho também fez um discurso politizado contras as políticas anti-imigração de Donald Trump ao receber o troféu de melhor álbum de música urbana. “Antes de dizer obrigado, eu quero agradecer a Deus e quero dizer fora ICE”, disse ele, em referências ao Serviço de Imigração e Alfândega. O órgão tem sido alvo de críticas por causa das operações contra imigrantes.
“Não somos selvagens, animais ou alienígenas. Somos seres humanos e somos americanos”, afirmou o cantor, acrescentando ser importante espalhar o amor. “O ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se prende a ele. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Precisamos ser diferentes. Se lutarmos, precisamos lutar com amor.”
A vitória dele simboliza um momento de queda da música anglófana, que no ano passado perdeu espaço não só para Bad Bunny, hoje o artista mais ouvido no Spotify, mas também para a espanhola Rosalía e para os vários grupos coreanos de k-pop que vão bem nas paradas do mundo todo.
Seu “Debí Tirar Más Fotos” faz ode à cultura de Porto Rico, ao reggaeton e a vários ritmos latinos. No disco, Bad Bunny fala de temas políticos, mas também de assuntos mais introspectivos —em “DtMF”, por exemplo, clama para que as pessoas vivam e registrem mais os bons momentos.
Bad Bunny se recusou a levar sua turnê para a terra firme dos Estados Unidos —Porto Rico é uma ilha, parte do território americano— por medo de que fãs sofressem repressão do ICE, o serviço dos EUA que está prendendo pessoas imigrantes de forma violenta. Assim, o artista se tornou desafeto do presidente Donald Trump.


