Após cinco meses de tentativas e manobras dos governistas, a oposição conseguiu instalar nesta quinta-feira (28) a comissão especial de investigação sobre o caso $Libra, o escândalo com a criptomoeda promovida pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
A instauração da comissão ocorre em um momento de extrema fragilidade do governo, abalado por outra investigação de corrupção, em que áudios atribuídos ao ex-diretor da agência do governo para pessoas com deficiência denunciam um suposto esquema de propinas envolvendo a irmã de Milei, Karina.
O grupo que vai investigar o caso $Libra na Câmara dos Deputados escolheu Maximiliano Ferraro, da Coalizão Cívica, como presidente. A comissão estava parada devido a um empate técnico: enquanto 14 membros queriam aprofundar a investigação sobre a participação de Milei e de Karina no episódio, outros 14 não queriam que os trabalhos avançassem.
O impasse surgiu porque, ao criar o projeto, os partidos majoritários precisavam assegurar assentos para partidos menores, como a Coalizão Cívica e a Frente de Esquerda.
Cada bloco com cinco membros teria um representante, e blocos maiores poderiam ter mais representantes. Isso deu à oposição, liderada pelo peronismo, uma vantagem na representação.
Contudo, os libertários, de Milei, e o PRO (do ex-presidente Mauricio Macri) conseguiram usar a redação do projeto a seu favor, formando um novo bloco misto e exigindo mais representantes. Esse movimento causou um equilíbrio de forças, impossibilitando a eleição de um presidente para a comissão.
A oposição apresentou uma nova resolução: em caso de empate, o presidente seria o deputado apoiado pelos blocos parlamentares com o maior número de deputados na Câmara.
Também foram incluídos ajustes no quórum e no sistema de votação. O novo regulamento estipula que as decisões se tomem por maioria dos presentes.
Com a derrota, os parlamentares do A Liberdade Avança, grupo político de Milei, decidiram não participar mais das reuniões.
A oposição, por outro lado, argumenta que a comissão pode finalmente funcionar e obter respostas sobre as questões envolvendo a criptomoeda $Libra. Os parlamentares têm até o dia 10 de novembro para apresentar resultados.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
O caso $Libra é de fevereiro do ano passado. Milei havia publicado no X uma mensagem, fixada em seu perfil por mais de cinco horas, com um link para o projeto chamado “Viva La Libertad Project”.
“O mundo quer investir na Argentina. $LIBRA”, dizia a postagem, com o nome do token, uma unidade de valor digital baseada na tecnologia blockchain sem valor em moeda real.
O token fazia parte de uma plataforma que tinha lançado a moeda $Trump um mês antes. O critpoativo promovido por Milei teve rápido aumento e queda, gerando perdas para investidores.
Karina Milei foi mencionada por envolvidos como alguém que teria facilitado o acesso deles a Milei. O caso é investigado também nos Estados Unidos.