Neymar participará em junho de sua quarta Copa do Mundo? O jogador mais destacado do Brasil nos últimos 15 anos será ou não convocado por Carlo Ancelotti para o Mundial nos EUA, Canadá e México?
Tanto quem gosta como quem desgosta de Neymar fará, dia a dia, exaustivamente essas perguntas até o momento em que o supertécnico italiano, à frente da seleção brasileira desde 26 de maio de 2025, anunciar os 26 nomes que buscarão o hexa.
A convocação de Ancelotti para a Copa deve ocorrer somente em maio. Ele fará observações possivelmente decisivas, de perto, nos amistosos de março contra França e Croácia.
Se Neymar não figurar na convocação para essas partidas, haverá um forte entendimento de que o camisa 10 (no Paris Saint-Germain, no Al-Hilal e no Santos) não irá à Copa.
Até agora, Carleto elaborou quatro listas de convocados, duas para quatro jogos das Eliminatórias sul-americanas e duas para quatro amistosos. Neymar não esteve nelas, porém o treinador indicou que a ausência foi somente porque o jogador não estava 100% fisicamente.
Há muito tempo o atacante, assolado por lesões, não exibe condições físicas perfeitas. Já faz quase três anos que ele tem tido muita dificuldade para manter uma sequência de jogos.
Seus problemas mais sérios foram o tornozelo direito (cirurgia em março de 2023), no PSG, e o joelho direito (cirurgia em novembro de 2023), no Al-Hilal. Esta última, necessária devido ao rompimento do ligamento cruzado anterior, o afastou dos jogos por mais de um ano.
Depois, tanto no time saudita (fim de 2024) como no Santos (2025), contusões menos sérias, musculares (coxa), o impediram de atuar consistentemente.
Dias atrás, antes do Natal, passou por nova intervenção cirúrgica, uma artroscopia, a fim de corrigir uma lesão em menisco do joelho esquerdo.
Esse histórico faz de Neymar, no jargão futebolístico, um jogador “podre”: por mais que tente, não consegue render o desejado –fisicamente, está comprometido.
Só que ele, tecnicamente, continua excelente. Daí permanecer em voga a discussão sobre ser fundamental ou não para a seleção.
Diferentemente do que pensa e exige Ancelotti, eu, se treinador da seleção, levaria Neymar para a Copa caso ele estivesse em condição mínima de jogo: de 20 a 30 minutos por partida em nível de excelência.
É melhor ter um craque que pode, em uma jogada individual, decidir um jogo, seja com um gol, seja com uma assistência, seja com uma construção de jogada, seja na bola parada –de tudo isso Neymar é capaz–, do que um bom jogador a mais (um Joelinton, um Luiz Henrique, um Samuel Lino).
As próximas semanas, quando o futebol no Brasil será retomado com os estaduais (o Paulista começa no dia 10 de janeiro) e o Campeonato Brasileiro (a partir do dia 28), serão um termômetro para avaliar Neymar.
Para ter chance de ir à Copa, ele precisará jogar muito, em duas frentes: qualidade, o que não deverá ser dificultante, e quantidade, sem voltar a se lesionar, isso sim um tremendo desafio.
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Sublinhe-se que o contrato dele com o Santos acaba de ser renovado. Irá até o final deste ano.
Com a Copa se aproximando, brilhar no clube que o revelou –no Paulista, no Brasileiro, na Copa-Sul-Americana e na Copa do Brasil– é a melhor forma de impressionar Ancelotti e regressar à seleção.
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