‘Será assunto interno no Brasil, com eleições em outubro’, diz especialista sobre prisão de Maduro pelos EUA

“Os Estados Unidos estão concebendo a Venezuela como um protetorado, no qual poderão fazer o que quiserem com a riqueza venezuelana, notadamente o petróleo. Quem vai governar a Venezuela? Trump descartou Maria Corina e seus aliados e reforçou a vice-presidente, mas sob as diretrizes dos Estados Unidos. Ele diz que vai administrar o país, mas não há tropas militares dos Estados Unidos ocupando o território. Esse desenho pode estar na cabeça de Trump, de Marco Rubio e de seus assessores mais próximos, mas o fato é que nada parece simples assim”, indaga Roberto Goulart Menezes, coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília.Para o analista internacional, o passo inédito dado pelos Estados Unidos ao levarem adiante uma invasão na América do Sul gera apreensão sobre o que pode acontecer com outros países. “Donald Trump colocou os Estados Unidos como a polícia do mundo, gerando tensão em toda a região. Qual será o futuro do governo de Cuba? Qual será o futuro do governo da Nicarágua? Essa tensão vai se estender ao longo de 2026, porque temos eleições na Colômbia em maio deste ano, e Trump também mencionou a Colômbia em suas declarações. Será um assunto interno do Brasil também, que terá eleições em outubro.”ReaçõesA deposição de um ditador, porém realizada de uma forma claramente afrontosa ao direito internacional e com vistas a se apoderar da riqueza nacional de um povo, gerou reações e dividiu opiniões. Governadores de direita que sonham em ocupar a presidência no Brasil, como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, comemoraram o ato sem sopesar questões como a soberania nacional.O governo Lula condenou e considerou gravíssimo o ataque, embora, em nota, não tenha citado nominalmente Donald Trump tampouco Maduro, e reconheceu o governo interino da vice-presidente Delcy Rodríguez.”Na ausência do atual presidente Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, afirmou a ministra das Relações Exteriores substituta, Maria Laura da Rocha, ao responder a jornalistas depois de discutir o tema com integrantes do governo no Itamaraty. Uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Celac, está sendo organizada e pode acontecer ainda neste domingo. O Brasil também afirmou que vai condenar a invasão em reunião da ONU.



Créditos

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *