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No nosso último encontro, derrubamos o mito de que o tamanho da empresa é o que define o sucesso nas vendas para o governo. Vimos que a tecnologia e a legislação abriram as portas para que o pequeno e o médio empresário disputem uma fatia do mercado de 1,1 trilhão de reais. Mas, depois de entender que é possível participar, surge a dúvida: onde estão essas oportunidades e, principalmente, como saber quais delas são viáveis para o meu negócio?” O erro estratégico de atirar para todos os lados Muitos empresários, ao perceberem o potencial das compras públicas, comete o erro da ansiedade: acreditam que quanto mais licitações participarem, maiores as chances de vitória.
O problema é que tentar abraçar o mundo sem um critério claro é o caminho mais curto para o prejuízo. Você gasta energia, mobiliza sua equipe e acaba enviando propostas mal calculadas ou esquecendo documentos básicos.
Vender para o Estado exige o que chamo de mapeamento estratégico. Sem isso, você está apenas pescando em mar aberto sem um radar. Pode até dar sorte uma vez ou outra, mas a consistência e o lucro real só vêm para quem sabe filtrar o ruído e focar no alvo certo. O que define uma licitação viável para a sua realidade Identificar uma oportunidade que realmente faz sentido para o seu negócio vai muito além de encontrar um edital que pede o produto que você vende. O licitante profissional trabalha com o que costumo chamar de tripé da decisão, que envolve as viabilidades jurídica, operacional e econômica. Na prática, significa que você deve fazer um diagnóstico rápido antes de decidir entrar na disputa. sua empresa atende às exigências de habilitação? Sua logística dá conta de entregar no prazo sem comprometer seus clientes atuais? O valor estimado e as condições de pagamento garantem uma margem de lucro saudável? Se um desses pontos não fechar, a licitação não é uma oportunidade; é um risco desnecessário. Onde as oportunidades se revelam A grande revolução para quem busca vender para o governo atende por uma sigla que você precisa memorizar: PNCP. Criado pela Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), ele centraliza editais de todo o Brasil em um só lugar, funcionando como o verdadeiro Google das licitações.
Mas o PNCP é apenas o ponto de partida. O segredo é configurar filtros inteligentes para que as oportunidades cheguem até você. Além dos grandes pregões, existe uma mina de ouro muitas vezes ignorada: as dispensas eletrônicas. São contratações de menor valor, com um rito muito mais ágil e simples. Para quem quer começar a faturar rápido e construir um histórico de bons fornecimentos, as dispensas são a porta de entrada ideal.
A inteligência por trás dos dados Como alguém que lida com a análise de dados e a fiscalização da lei diariamente na minha trajetória como Policial Federal, eu garanto a você que os números contam histórias. O mapeamento estratégico não é apenas olhar o que está aberto hoje, mas fazer uma espécie de “engenharia reversa” do mercado. O profissional analisa quem comprou o seu produto no passado, por quanto e com que frequência. Se você descobre que um órgão específico renova seus contratos todo início de ano, você não espera o edital ser publicado; antecipa sua logística, calcula custos e prepara a documentação meses antes. Isso é inteligência competitiva. Fugindo das armadilhas comuns O erro que mais vejo em consultorias é a falta de análise de risco. O empresário se empolga com um contrato de valor alto e esquece de ler as letras miúdas.
No setor público, o contrato deve ser cumprido rigorosamente conforme o edital. Se você ganha pelo preço, mas não mapeou que a entrega será em uma região de difícil acesso, o custo dos tributos e do frete podem consumir toda sua margem de lucro. Outra falha recorrente é ignorar a habilitação técnica. Participar de uma disputa sem ter o atestado de capacidade técnica exigido é perda de tempo.
O foco deve ser sempre na qualidade da participação, e não apenas na quantidade. Licitação não é sorte, é método e escolha consciente Mapear oportunidades estrategicamente é o radar que mantém sua empresa segura. Ao aplicar esse método, você deixa de ser um aventureiro e passa a ser um fornecedor estratégico, que escolhe suas disputas com precisão e base em dados. Na próxima quinta-feira, falaremos sobre como precificar sua proposta de forma estratégica.
Vou mostrar que vencer uma licitação é apenas metade do caminho; a outra metade é garantir que o preço coloque dinheiro no seu bolso com total segurança jurídica. Até lá, explore o PNCP e comece a filtrar o que realmente faz sentido para sua estrutura hoje. O maior cliente do país está publicando oportunidades agora mesmo.
Até a próxima quinta-feira! Sobre o autor: Rogério Gouveia é Professor universitário, Policial Federal, especialista em Licitações e Contratos Administrativos e autor do livro “Como vender para o maior comprador do Brasil: O Governo”.

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