O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federalista (STF), encerrou nesta terça-feira (29) a temporada de depoimentos dos cinco réus na ação penal que trata do homicídio da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro.
Com o fecho das oitivas, que foram conduzidas pelo desembargador Airton Vieira, facilitar de Moraes, a temporada de instrução vocal foi encerrada. A partir de agora, as defesas e a denunciação terão prazo de cinco dias para requererem as diligências que acharem pertinentes para o curso do processo.
Ainda não há data para o julgamento definitivo do caso.
Os depoimentos dos réus começaram no dia 21 deste mês. Em setembro, foram ouvidas as testemunhas arroladas pelas defesas dos acusados e pela denunciação, que foi feita pela Procuradoria-Universal da República (PGR).
Major Ronald
O último testemunho no processo foi realizado nesta terça-feira (29). O major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula negou ter realizado trabalho de monitoramento da rotina de Marielle Franco antes do homicídio da vereadora.
O militar está recluso no presídio federalista de Brasília e prestou testemunho na quesito de réu na ação penal.
Perguntado pelo juiz que conduziu a audiência sobre sua participação no delito, Ronald disse que não conhecia a vereadora, nem realizou o monitoramento da rotina dela.
“Com todo saudação à família, eu nunca tinha ouvido falar o nome de Marielle”, afirmou.
Ele também negou ter relação com o delito e afirmou que passou o dia do homicídio em um curso de formação da PM.
“Sou singelo de todas as acusações que me foram impostas”, completou.
Acusados
Além de Ronald, são réus no processo o deputado federalista Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), o mentor do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão, irmão de Chiquinho, o ex-chefe da Polícia Social do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e Robson Calixto, ex-assessor de Domingos.
Todos respondem pelos crimes de homicídio e organização criminosa e estão presos por norma de Alexandre de Moraes, relator do caso.
Nos depoimentos prestados durante a instrução, os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa negaram participação no homicídio.
De harmonia com a investigação realizada pela Polícia Federalista, o homicídio de Marielle está relacionado ao posicionamento contrário da parlamentar aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, que têm relação com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.
Conforme a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso de realizar os disparos de arma de queima contra a vereadora, os irmãos Brazão atuaram porquê os mandantes do delito.
Júri
Lessa e o ex-policial Élcio Queiroz, criminado de guiar o sege usado no delito, vão a júri popular nesta quarta-feira (30) pelo homicídio de Marielle e Anderson. O início do julgamento do Tribunal do Júri da Comarca do Rio de Janeiro foi marcado às 9h.
O Ministério Público do Rio defendeu hoje que os acusados sejam condenados a 84 anos de prisão.