Bad Bunny valoriza Porto Rico em residência artística - 14/07/2025 - Ilustrada

Bad Bunny valoriza Porto Rico em residência artística – 14/07/2025 – Ilustrada

Milhares de porto-riquenhos compareceram na noite de sexta-feira (11) ao lançamento da histórica residência de Bad Bunny em San Juan, uma série de shows que demonstra o orgulho e a resiliência da ilha, e que em sua fase inicial está limitada aos moradores locais.

Com camisetas com a bandeira de Porto Rico ou simplesmente envolvidos nela, os fãs lotaram a área ao redor do Coliseu de Porto Rico em San Juan antes do espetáculo intitulado “Não quero sair daqui”.

A noite foi uma celebração.

Por momentos, o popular artista de 31 anos pareceu parar para celebrar a ocasião, esboçando um sorriso sincero enquanto observava seus milhares de eufóricos compatriotas.

Aproveitar o presente e honrar o passado é uma lição extraída de seu sexto álbum, “Deveria ter tirado mais fotos”, em tradução livre, no qual dedica uma ode a plenos pulmões à herança porto-riquenha.

O ambicioso repertório incluiu muitas das músicas mais recentes de Bad Bunny que destacam as injustiças na ilha caribenha americana, mas a noite representou sobretudo um olhar para Porto Rico que se concentra em sua resistência, orgulho e alegria.

A primeira música era inédita e não foram dados detalhes sobre se finalmente será lançada oficialmente.

Os primeiros nove shows de uma série de 30, que serão realizados no Coliseu de San Juan durante três fins de semana consecutivos até setembro, estão abertos exclusivamente a residentes porto-riquenhos e a algumas celebridades como LeBron James, que compareceu ao espetáculo de sexta-feira à noite.

Bad Bunny prestou homenagem à cultura e história porto-riquenhas, mas também fez um repasse de sua carreira, mostrando a imensa variedade de ritmos que exibiu desde sua irrupção, há menos de uma década.

O espetáculo incluiu o potente trap latino de seu sucesso de 2018, “La Romana”, e o hit de discoteca de 2020, “Yo perreo sola”, exemplos brilhantes de seu trabalho anterior no reggaeton que o catapultou à fama.

“Seu reggaeton nunca falha”, disse o estudante John Hernández Ramírez antes do show.

Este jovem de 21 anos comentou que inicialmente se sentiu atraído pelos ritmos vibrantes de Bad Bunny e mais recentemente por sua evolução lírica.

Originário de uma zona rural de Porto Rico, Hernández Ramírez disse que encontrou uma ressonância particular na música “O que aconteceu com o Havaí”, uma exploração sobre a gentrificação, o turismo tóxico e a colonização.

Bad Bunny destacou estes temas nos preparativos do show, projetando fatos históricos em uma tela gigante sobre um exuberante palco tropical.

“Porto Rico tem sido uma colônia desde que Cristóvão Colombo ‘descobriu’ a ilha durante sua segunda viagem ao Novo Mundo em 1493”, disse um espectador.

Parte da cenografia incluía uma casa construída ao estilo típico da ilha, que havia aparecido em um curta-metragem que o artista realizou com o lendário cineasta porto-riquenho Jacobo Morales, do qual também foram projetados fragmentos na tela grande.

‘Uma lenda’

Do alto da estrutura, Bad Bunny interpretou algumas de suas canções mais icônicas, incluindo a recente “Nuevayol” e “Tití me preguntó”.

Depois retornou ao palco principal para uma sequência de salsa que o fez mexer os quadris, vestindo um terno dos anos 70, ao estilo dos ícones do gênero que o precederam.

Serpentinas com as cores da bandeira porto-riquenha pendiam do teto enquanto o músico guiava os fãs em um hipnótico pot-pourri que incluía “Baile inolvidable”, acompanhado por uma banda completa.

O espetáculo durou três horas, mas os fãs —muitos deles vestidos com trajes da bandeira e outros com camisetas de beisebol da lenda do beisebol porto-riquenho Roberto Clemente, não se cansaram.

Marta Cuellar, colombiana de 61 anos que reside há muito tempo em Porto Rico, declarou à AFP que esta série de shows constitui uma excelente maneira de celebrar a ilha e um presente à cultura latino-americana em geral.

“Bad Bunny”, prognosticou, “está se tornando uma lenda”.

O respeitado historiador porto-riquenho Jorell Melendez Badillo, que colaborou com elementos visuais no último disco de Bad Bunny, estimou que o show é uma celebração “não só de Benito, mas de nós mesmos”.

“É nosso. Sentimos como se estivéssemos com Benito ao longo desta jornada. Também o vimos crescer” ao longo de sua carreira.

“Ele conseguiu”, acrescentou o historiador. “E todos conseguimos com ele”



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