Criação de comissão para apurar caso Orelha ganha apoio nas redes após promotoria pedir buscas - 12/04/2026 - Cotidiano

Cão Orelha: Coação a porteiro não estaria ligada à morte – 14/04/2026 – Mônica Bergamo

Relatório preliminar do Ministério Público de Santa Catarina afirma que os parentes dos adolescentes citados inicialmente na investigação sobre a morte do cão Orelha não agiram para “silenciar” o porteiro do prédio por causa das acusações de maus-tratos ao animal.

“Os fatos revelam que o crime de coação e o de ameaça decorreram de conflitos pessoais, envolvendo discussões na portaria e reações à exposição de adolescentes [uma foto dos jovens que circulou nas redes sociais], e não têm relação com a agressão ao cão Orelha ou outro animal da região”, escreve no documento o promotor Fabiano Henrique Garcia.Como a 32ª Promotoria da Justiça trata de assuntos do meio ambiente, o que inclui situações envolvendo animais, ele afirmou que não poderia cuidar do caso e pediu a redistribuição para uma Promotoria com atribuição criminal comum.

“Os elementos iniciais que justificariam a atuação desta Promotoria de Justiça —diante da possível conexão entre o crime de coação e os maus-tratos contra animais — não se confirmaram após a análise do relatório final’, acrescenta ele.

Um dos investigados no episódio, o empresário Tony Marcos de Souza morreu na segunda (13) após sofrer um infarto. Ele era tio de um dos jovens. A família dele afirma que segue recebendo ameaças e mensagens de ódio, o que ocorreu inclusive durante o velório do empresário, que teve a segurança reforçada por causa da situação.

Em seu relatório, o promotor cita que o próprio porteiro diz que as ligações que recebeu dos três adultos indiciados “estavam relacionadas à divulgação da foto e do áudio que ele havia emitido sobre o comportamentos dos adolescentes, e não às agressões aos cães”.

No processo, há também um áudio do porteiro conversando com a síndica do prédio em que reafirma que o bate-boca que teve com os pais dos adolescentes ocorreu porque um dos jovens teria xingado ele. “O problema não foi com o cachorro. Nem sabia [naquele momento] que tinha matado o cachorro”.

A acusação de coação foi motivada por uma confusão que ocorreu no prédio na noite do dia 12 de janeiro, Na ocasião, os adolescentes e os pais participavam de uma festa. O porteiro e os jovens já tinham tido problemas antes e voltaram a discutir. Posteriormente, os pais dos adolescentes e Tony foram conversar com o funcionário do prédio. Eles questionaram também o motivo que levou a mulher do porteiro a fazer uma foto dos adolescentes.

Segundo alguns depoimentos e um vídeo das câmeras de segurança, apesar de os ânimos terem se exaltado, a conversa terminou de forma mais pacífica e Tony e o porteiro chegaram a trocar um aperto de mãos.

O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis, após ser vítima de um ataque ocorrido na madrugada anterior, segundo a Polícia Civil. Resgatado por moradores com ferimentos graves, o animal foi encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu.

Na conclusão das investigações, a Polícia Civil solicitou a internação de um adolescente suspeito de ter agredido Orelha. Na semana passada, a Promotoria de Santa Catarina pediu mais buscas à polícia para concluir seu parecer final.

A defesa do adolescente nega qualquer envolvimento e sustenta que não há provas que o vinculem ao caso, além de apontar a disseminação de desinformação nas redes sociais.

Uma apuração paralela investiga se adultos coagiram testemunhas para evitar a responsabilização dos adolescentes.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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