O regime chinês, por meio da porta-voz Mao Ning, afirma que o país defende o princípio de não interferência em assuntos internos em resposta à decisão dos Estados Unidos de designar as organizações criminosas PCC (Primeiro Comando Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.
“A China defende o princípio de não interferência em assuntos internos”, disse Mao nesta sexta-feira (29), quando questionada sobre o posicionamento de Pequim a respeito da decisão americana.
A decisão foi anunciada por Washington nesta quinta-feira (28), após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao presidente Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento de Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.
Em publicação em seu perfil nas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil”.
“Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas”, escreveu.
Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.
Foi nesse contexto que Washington uma empreitada no início deste ano em Caracas, na Venezuela, que teve como resultado a prisão do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Na época, a China se manifestou contra intervenções americanas, mantendo o tom de defesa à soberania dos países que emprega sempre que Washington realiza uma ação em outras nações.
O Ministério das Relações Exteriores chinês instou Washington a garantir a segurança pessoal do casal e exigir sua libertação.
“A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe”, afirmou na ocasião.
Já na semana passada, o país asiático denunciou “abuso dos meios judiciais” depois que os EUA indiciaram o ex-líder cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996.
“A China sempre se opôs firmemente às sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional, e se opõe ao abuso dos meios judiciais. Opõe-se também às pressões exercidas por forças externas contra Cuba, sob qualquer pretexto”, declarou à imprensa o porta-voz da pasta Guo Jiakun.


