Pouco antes do anúncio formal, um alto funcionário do governo Trump afirmou que ainda há espaço para a negociação, mas criticou a condução do assunto pelo governo brasileiro até agora. “Não sei qual é o cronograma para as negociações. Essa é uma área em que temos sido muito francos com os brasileiros. Reiterando: apresentamos várias propostas e diversos caminhos para uma solução. Durante muitos e muitos meses, houve pouquíssimo engajamento, e só recentemente vimos uma participação e um envolvimento realmente significativos. Portanto, cabe ao governo brasileiro decidir como resolver algumas dessas questões”, afirmou este membro da gestão Trump, sob reserva. Ele afirmou que nas últimas seis semanas, porém, as reuniões foram “construtivas”.Segundo negociadores do Brasil ouvidos pelo UOL, a administração de Donald Trump não deixou claros seus pleitos em nenhuma das cinco reuniões que integrantes do governo Lula tiveram com Greer desde o último 7 de maio, quando os dois presidentes se encontraram na Casa Branca e determinaram que suas equipes trabalhassem em busca de um acordo.Entre as reclamações formais dos EUA estavam questões como o desmatamento, decisões do STF sobre big techs, o serviço de pagamentos Pix e acordos comerciais com países terceiros (especialmente México e Índia).Pouco antes do anúncio formal da medida, um alto funcionário do governo Trump voltou a citar as big techs e a remoção de conteúdos de redes sociais como motivações para o tarifaço. “Os resultados da investigação revelaram que tribunais brasileiros adotaram medidas no âmbito do comércio digital do país que constituem uma barreira comercial desleal. Por exemplo, tribunais brasileiros emitiram ordens determinando que empresas de tecnologia dos EUA removessem determinados conteúdos políticos e contas pertencentes a residentes dos EUA”, disse a autoridade norte-americana, que complementou: “Elas também sujeitam empresas de tecnologia dos EUA a multas diárias injustas por descumprimento ou, em algumas circunstâncias, chegam a exigir que encerrem suas operações no Brasil”, no que parece ser uma referência à rede social Rumble, que processa nos EUA o ministro Alexandre de Moraes, do STF, junto com a rede Truth Social, que pertence ao presidente Trump.O mesmo membro do governo do republicano voltou ainda a insistir que o Pix é uma prática de comércio desleal. “No setor de serviços de pagamento eletrônico, a investigação constatou que o Brasil prejudicou empresas dos EUA que oferecem serviços concorrentes, devido a políticas que favorecem sua ‘campeã nacional’ — um sistema operado pelo Banco Central do Brasil. O nome dessa campeã nacional é Pix”, disse o norte-americano.O Brasil chegou a levar à mesa o que os negociadores chamavam de um “mapa do caminho” para a solução do impasse, que continha coisas como: o compromisso de seguir combatendo o desmatamento (embora ressaltem que o governo dos EUA se valia de dados antigos em suas críticas ao Brasil), uma proposta de redução de tarifas de importação em setores de maquinários, equipamentos de saúde e TI (o que não agradou aos norte-americanos, que queriam que a medida fosse adotada apenas em favor dos EUA e não de todos os potenciais vendedores globais, como preconiza a OMS) e uma ideia de redução de tarifas ao etanol norte-americano, desde que, em troca, os EUA diminuíssem a alíquota para o açúcar do Brasil (o que não foi aceito).
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