Leonardo Sakamoto

Extrema direita mastigou o centrão e a direita no Senado

Não é uma derrota como a do centro e da direita liberal, mas também não é uma vitória, por mais que alguns gabinetes em Brasília tentem vender assim nesta segunda. A esquerda segurou o que tinha enquanto o tabuleiro inteiro andava para a direita. Vale ressalta que sim, ficar parado numa esteira que corre para trás é recuar.O PSOL, que apostou em nomes como Manuela D’Ávila no Rio Grande do Sul, segue sem cadeira no Senado. Em São Paulo, as duas candidatas apoiadas por Lula, Simone Tebet e Marina Silva, ficaram em terceiro e quarto, atrás dos nomes ligados a Tarcísio de Freitas. Quando o maior colégio eleitoral do país manda dois recados na mesma urna, convém ouvir.E por que isso importa para quem não acompanha a vida em Brasília? Porque o Senado não é a Câmara. É ali que se aprovam (ou se barram) indicados ao Supremo Tribunal Federal, que se julgam pedidos de impeachment de ministros da corte e que se decide, no fim das contas, o quanto um presidente da República conseguirá governar.A extrema direita somando votos de aliados, mais do que cassar ministros do STF, vai poder ditar se um nome indicado pelo novo presidente será ou não aceito – são necessários 41 votos. Em Brasília, um voto costuma custar menos que uma emenda parlamentar.Antes, o centrão era o fiel da balança e cobrava preço em cargos e verbas, mas raramente topava incendiar a casa. Agora, a maior bancada é a do partido que fez do confronto com o Supremo, da anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e da guerra cultural sua razão de existir. Seja quem for que subir a rampa do Planalto em janeiro, vai ter que governar com esse Senado.A direita tradicional brasileira passou os últimos anos tratando a extrema direita como uma escada: algo para subir e, depois, deixar encostado na parede. Domingo mostrou que a escada tinha outros planos. Quem achou que estava usando acabou sendo usado e, em seguida, digerido.



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