Guerra no Irã: Petróleo tem menor preço pós-guerra - 24/06/2026 - Economia

Guerra no Irã: Petróleo tem menor preço pós-guerra – 24/06/2026 – Economia

O preço do petróleo atingiu o seu menor valor desde o começo da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, com a retomada do tráfego dos navios-petroleiro pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O barril Brent já registrava queda desde o início da sessão, mas estava na casa de US$ 76. A partir das 8h (horário de Brasília), a desvalorização foi acentuada com o anúncio da retomada da navegação em Hormuz feito pela OMI (Organização Marítima Internacional), agência de navegação da ONU.

A cotação atingiu sua maior perda por volta das 10h30, quando registrou US$ 73,56 (R$ 383,25), queda de 4,22%. O valor foi o menor registrado desde o início da guerra. Até então, a cotação mais baixa era de US$ 75,75, em 2 de março, primeiro dia de negociação pós-guerra.

Em 27 de fevereiro, um dia antes do conflito começar, o petróleo fechou o dia cotado a US$ 72,48, com mínima de US$ 70,33 na sessão. No dia seguinte, os EUA e Israel bombardearam Irã, mas o mercado estava fechado, já que era sábado. As negociações só foram retomadas na segunda-feira, 2 de março.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também chegou a cair mais de 4% nesta quarta-feira e foi negociado abaixo de US$ 70, alcançando US$ 69,85 (R$ 363,92).

A queda da cotação do commodity foi influenciada pela retomada da navegação em Hormuz, o que traz alívio para a retomada do fornecimento de petróleo principalmente à Ásia e Europa. Segundo a OMI, os navios começaram a transitar em direção a Hormuz sob um novo esquema da agência para evacuar embarcações presas ali pelo conflito.

“Navios já começaram a passar sob o plano”, disse um porta-voz da OMI na quarta-feira, recusando-se a fornecer detalhes sobre as embarcações que cruzaram. A organização disse que 11 mil marinheiros estão nas mais de 500 embarcações retidas no golfo Pérsico.

Pelo menos dois navios graneleiros e um navio de carga navegaram pelo estreito de Hormuz sob o esquema nas últimas 12 horas, mostraram dados de rastreamento de navios da LSEG na quarta-feira.

Três petroleiros retidos transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto também estavam saindo do estreito de Hormuz, com dois seguindo para a Ásia, mostraram dados de navegação. Não estava claro se essas embarcações saíram sob o esquema da OMI.

EMBARCAÇÕES USARÃO DUAS ROTAS TEMPORÁRIAS PARA SAIR

Pelo menos 35 navios menores, principalmente graneleiros, cargueiros e porta-contêineres, além de cinco petroleiros e rebocadores, estavam se preparando para navegar pelo estreito, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG e MarineTraffic baseados em análise da Reuters sobre movimentos de embarcações.

Sob o esquema, que a OMI disse ter sido possível iniciar após os EUA e o Irã chegarem a um acordo de cessar-fogo, as embarcações poderão usar duas rotas temporárias para sair —uma rota norte via águas iranianas e uma rota sul via “águas coordenadas pelo Sultanato de Omã/Estados Unidos”.

“As embarcações devem aguardar instruções antes de prosseguir”, comunicou a OMI em uma nota sobre o esquema emitida na quarta-feira. “A superlotação da área de espera resultará apenas na necessidade de pausar novas notificações para a segurança da navegação”.

O chamado Esquema de Separação de Tráfego, adotado pela OMI em 1968, estabeleceu faixas de roteamento através de águas do Irã e de Omã no estreito. Esta seção central atualmente não é utilizável devido ao risco de minas, disseram pessoas ligadas ao setor de navegação e segurança marítima.

EMBARQUES DE ENERGIA AUMENTAM

Segundo a empresa de dados marítimos Kpler, o tráfego em Hormuz aumentou para uma média de 25 navios diários, ante 10 na semana anterior. Porém o volume atual ainda fica bem abaixo da média de 125 navios registrada antes do início do conflito.

Mais navios têm ligado seus transponders públicos de rastreamento AIS, mas alguns podem ter passado despercebidos devido em parte à grande interrupção dos sinais AIS, bem como navios não mostrando seus movimentos pelo estreito.

A iniciativa da OMI não apoiou navios que buscavam entrar no Golfo para buscar cargas de petróleo dos produtores do Golfo. “O acordo (da OMI) foi desenvolvido devido à contínua degradação da segurança de navegação dentro do estreito e preocupações sobre riscos elevados de colisão”, disse o grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard em uma nota na quarta-feira.

“Armadores e comandantes permanecem responsáveis por conduzir avaliações independentes de risco de viagem antes da participação. Os movimentos das embarcações podem ser suspensos a qualquer momento por razões de segurança, proteção ou desconflito naval”, comunicou o grupo.

As taxas de frete de petroleiros dispararam nos últimos dias devido à escassez de disponibilidade de navios e preocupações com segurança, que incluíram o risco de minas flutuantes.

Com informações da Reuters



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