O grande patrimônio é a garagem. Imagina o seguinte: você opera centenas de ônibus. Onde é que você guarda centenas de ônibus? Você precisa de uma área imensa para não só eles dormirem, mas para fazer manutenção, oficina, etc. Essa garagem, no caso da Transwolff, pertence a uma construtora chamada Neumax, cujos donos são a família do Milton Leite – ele mesmo, a esposa e os três filhos. A Transwolff paga de aluguel da garagem para a Neumax R$ 850 mil por mês – mais de R$ 10 milhões por ano.José Roberto de ToledoSegundo Toledo, a Transwolff é citada em investigações do Ministério Público sobre influência do crime organizado em empresas de ônibus. Ele afirma que a empresa chegou a ter capital social de R$ 1 milhão, mas apareceu “do dia para a noite” com R$ 50 milhões para entrar no novo sistema.Toledo diz que o dinheiro do setor não depende só da catraca. “A maior parte de dinheiro é o meu, seu, nosso”, afirma, ao explicar que a prefeitura paga parte relevante do custo do transporte por meio de subsídios e do modelo do Bilhete Único.Ele relata que Milton Leite chegou a aparecer como testemunha em denúncia de 2024 e que, ao depor, reagiu ao ser avisado de que poderia ficar em silêncio para não se incriminar – procedimento comum quando há risco de autoincriminação.Como ele colocou o filho, deputado federal, como sócio da Neumax, o caso subiu para a Procuradoria-Geral da República. Foi para o Supremo, porque tem um deputado federal que tem foro, com a recomendação de dizer: mantenha na primeira instância da Justiça estadual, porque o caso não tem nada a ver com o exercício do mandato do deputado. E adivinha com quem foi parar o sorteio dessa relatoria? Está com o Kassio Nunes e está parado.José Roberto de ToledoPara Toledo, enquanto o inquérito não volta à primeira instância, o Gaeco (grupo do Ministério Público que investiga o crime organizado em São Paulo) não consegue concluir essa apuração específica e decidir se denuncia ou não o vereador por envolvimento com facções.
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