Marcas de luxo apostaram no Oriente Médio - 20/04/2026 - Economia

Marcas de luxo apostaram no Oriente Médio – 20/04/2026 – Economia

Quase dois meses de guerra no Oriente Médio enfraqueceram o mercado bilionário de empresas que vendem itens como bolsas de couro de crocodilo e pulseiras de diamantes. As marcas de luxo do mundo estão tentando mitigar os danos.

No Zegna Group, que abriga a marca de roupas masculinas de alto padrão Zegna, funcionários começaram a transferir estoques da região para mercados menos voláteis, como Londres e Paris.

Executivos dizem esperar que expatriados que deixaram suas casas em cidades como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Manama, no Bahrein, continuem gastando em artigos de luxo em outros países, e que turistas que planejavam viagens para áreas agora afetadas pela guerra fizessem suas compras em outros destinos.

Mas quanto aos próprios países do Golfo Pérsico, onde o turismo diminuiu drasticamente, há pouco alívio no horizonte, além de um cessar-fogo de curto prazo entre Estados Unidos, Israel e Irã. Para as marcas, não há muito mais a fazer além de esperar.

“Essa mercadoria tem que ir para outro lugar”, disse Ermenegildo Zegna, fundador da Zegna, em entrevista. “O que esperamos é conseguir atender esses clientes importantes, se não lá, então em alguma outra parte do mundo.”

O Oriente Médio havia se tornado uma fonte vital de crescimento para muitas marcas de luxo, à medida que as vendas de artigos de luxo desaceleraram na Europa e na Ásia nos últimos anos. Essas empresas dobraram a aposta na região do Golfo, que responde por uma parcela significativa da riqueza global, abrindo mais lojas e investindo mais em suas operações de ecommerce.

Marcas de luxo como Dior, Ferragamo e Moncler investiram em uma rede de varejo em todo o Oriente Médio, operando lojas em Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e em Doha, no Qatar.

Grifes europeias também investiram pesado na região. No ano passado, a Louis Vuitton criou uma loja temporária de Ramadã em Dubai, e a Prada lançou uma coleção exclusiva de Eid al-Fitr. A Zegna realizou um desfile de moda de verão na Ópera de Dubai.

Nos dias seguintes ao início da guerra liderada pelos EUA no Irã, em fevereiro, as marcas fecharam muitas de suas lojas nos países do Golfo. A maioria foi reaberta, mas as vendas caíram vertiginosamente.

A LVMH, a maior empresa de luxo do mundo, que possui marcas sofisticadas em categorias que vão de moda a beleza e bebidas destiladas, disse que a demanda por algumas marcas na região caiu até 70% quando a guerra se intensificou em março. A direção afirmou que estava contando que a elite do Oriente Médio continuasse gastando no exterior.

“O que vemos hoje é que a demanda ainda está muito baixa”, disse Cécile Cabanis, diretora financeira da LVMH, a investidores em uma teleconferência neste mês. “O que sabemos é que a riqueza não evaporou.”

A LVMH disse que “permanece vigilante” em relação aos lucros deste ano por causa da incerteza geopolítica.

A Kering, dona de casas de moda como Gucci e Saint Laurent, disse que ativou uma unidade de crise para gerenciar suas operações no Oriente Médio. A rede de varejo da empresa na região voltou a funcionar, mas a receita caiu 11% no último trimestre.

“No Oriente Médio, são os fluxos de turistas que estão sofrendo mais do que os locais”, disse Armelle Poulou, diretora financeira da Kering, a investidores neste mês.

Mas problemas com o turismo também estão se desenvolvendo fora do Oriente Médio, especialmente em lugares que os residentes do Golfo costumam visitar.

A Hermès, conhecida por suas bolsas de couro, disse que algumas de suas lojas na Europa estavam recebendo menos compradores de lugares como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. As vendas em suas lojas em Paris têm sido particularmente fracas.

“Podemos ver na Europa uma queda no número de turistas do Oriente Médio”, disse Eric du Halgouët, diretor financeiro da Hermès, recentemente a investidores. “Vemos isso na Suíça, no Reino Unido, por exemplo, mas também na Itália.”

A Hermès também teve que interromper ou adiar entregas para suas lojas operadas por terceiros no Qatar, Bahrein e Kuwait, disse a empresa. Também teve dificuldades para enviar mercadorias para lojas em aeroportos na Ásia, porque esses itens frequentemente transitam pelo aeroporto de Dubai, que foi afetado durante toda a guerra.

Executivos do setor de luxo ainda veem o Oriente Médio como um motor de crescimento de longo prazo, desde que os polos turísticos consigam novamente atrair viajantes e os expatriados retornem. Antes da guerra, as vendas anuais estavam crescendo até 8%, segundo estimativas da Bernstein Research.

O movimento de clientes nas lojas da Brunello Cucinelli, conhecidas por suas malhas de cashmere, no Oriente Médio caiu 50% em março, embora todas as lojas da marca permaneçam abertas.

Os executivos da empresa ainda têm grandes planos para a região do Golfo. O fundador da marca, Brunello Cucinelli, que também é CEO e diretor criativo, disse a investidores que porta-vozes da empresa viajariam pelo mundo para apresentar um documentário neste ano, buscando reconquistar clientes do Oriente Médio, apesar de uma guerra “dolorosa e inesperada”.

“É difícil aceitar isso em nossos tempos modernos”, disse Cucinelli neste mês. “Para mim, sou um amante da história. Sabemos que a guerra faz parte da nossa história o tempo todo.”



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