Messi é um imigrante modelo. Chegou menino num país acolhedor, recebeu investimento, educação, estrutura, e devolveu à Espanha os anos mais brilhantes da história esportiva do país. E seguiu argentino.Pertencer e assimilar são ações complementares.Um homem pode ser grato ao país que abriu as portas, pode servir e retribuir, sem apagar a origem. Messi não é inimigo da Espanha. Deve a ela, quase com certeza, boa parte do craque que é hoje, e sabe disso. Gratidão e pertencimento, porém, são coisas distintas.Na Odisseia, Ulisses passa dez anos tentando voltar para Ítaca, uma ilha pobre e sem importância. No caminho, recusou o que qualquer um sonharia aceitar. A deusa Calipso ofereceu imortalidade, prazer e uma vida de luxo e conforto sem fim. Ulisses preferiu a rocha árida onde nasceu, cresceu, casou e teve seu filho.Moisés nasceu hebreu, filho de escravos, e cresceu como príncipe no palácio egípcio, com a educação e o conforto dos faraós. Devia tudo ao Egito. Na hora de decidir, ficou com seu povo de origem.Messi recusou a seleção mais forte do mundo. O maior jogador do mundo é um latino como nós. Saiu de Rosário, mas Rosário nunca saiu dele.
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