Michelle diz que não tem raiva depois de ataque a Flávio - 25/06/2026 - Mônica Bergamo

Michelle diz que não tem raiva depois de ataque a Flávio – 25/06/2026 – Mônica Bergamo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a se manifestar sobre as desavenças com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nesta quinta (25), um dia depois de divulgar um vídeo em que diz que a tratam como “idiota” e de afirmar que é desrespeitada pelo enteado, ela postou um texto em que pede que todos “fiquem em paz”.

“Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição. Peço apenas que não retirem trechos da minha fala de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, afirma a mensagem.

Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais. A ex-primeira-dama critica a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará, e fala dos ataques feitos pelos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A ex-primeira-dama diz que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e não atendeu o telefone. Depois, retornou a ligação de forma ríspida, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões do partido e não entendia nada de política.”Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.

Ela continuou: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha, e assim permaneço”.

Depois da postagem de Michelle, Flávio divulgou um vídeo com a camisa da seleção brasileira em que afirma que era “dia de jogo” e que “hoje, nada nem ninguém me aborrece”.

Em um segundo momento, pediu desculpas à madrasta.

Sem citar nomes, a ex-primeira-dama afirmou que a tratam “como se fosse idiota” e que é vítima de notícias que plantam na imprensa —como a de que havia ficado com raiva porque gostaria de ter sido escolhida por Bolsonaro como candidata a presidente. Michelle disse que a prioridade dela neste momento não são candidaturas políticas, mas sim cuidar da família e do marido.

A ex-primeira-dama afirmou que é presidente do PL Mulher, que aumentou o número de candidatas eleitas, mas que, para Flávio e alguns que o cercam, ela não entende nada de política.

A ex-primeira-dama acrescentou que Flávio vai na casa dela toda semana e que, se quisesse falar com ela, já teria feito isso. Disse ainda que os fatos que ela expôs aconteceram antes da escolha de Bolsonaro pelo filho mais velho e que mesmo assim a abençoou.

“Tudo bem. Eu me recolhi. E desde esse dia [da ligação por causa do palanque no Ceará] ele não me procurou mais. E eu também não o procurei mais porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, disse Michelle.

“O Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida”, prosseguiu.

Michelle e Flávio dividiriam palanque pela primeira vez no próximo dia 10, no Ceará, no lançamento das candidaturas de Priscila Costa (PL), sua aliada, e Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL), ao Senado.

Como um gesto ao enteado, a ex-primeira dama declarou à imprensa que estaria junto com Flávio, mas, segundo aliados dela, bolsonaristas ligados a André e a Ciro passaram a plantar notícias contra ela. O objetivo, ainda de acordo com eles, seria ela ser vaiada no evento, o que fez com que Michelle decidisse gravar os vídeos desta quarta para evitar o mal-estar no evento.

Nos vídeos, ela contesta notícias de que ela exigiria perdão público dos filhos de Bolsonaro ou o fim da aliança com Ciro como condições para apoiar Flávio.

Ainda segundo aliados de Michelle, ela não aguentou mais mentiras e perseguições e resolveu reagir. Para eles, houve uma série de ataques coordenados com notícias falsas, o que eles veem também como machismo.

A briga entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pelo palanque do Ceará ocorreu em dezembro, depois que ela criticou o apoio costurado por André Fernandes a Ciro. Flávio e os irmãos Eduardo, Carlos Bolsonaro e Jair Renan criticaram a madrasta nas redes sociais e defenderam André Fernandes.Michelle disse que os demais enteados repetiram os ataques de Flávio e que ficou com a impressão de que tudo havia sido “combinado, premeditado”. “Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros”, disse.

Nos vídeos divulgados nesta quarta, a ex-primeira-dama critica Ciro, defende o apoio do PL a Girão (a quem chama de único candidato verdadeiramente de direita) e reivindica que uma das candidaturas do partido no Senado seja de Priscila, vereadora de Fortaleza.”Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido —os meus enteados— eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistoides”, disse Michelle.

“Tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno”.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) republicou os vídeos de Michelle e escreveu: “Coerente! Forte! Corajosa! Verdadeira! Amo você amiga!”.

Flávio foi escolhido para concorrer à Presidência por Bolsonaro no fim do ano passado, quando ele já estava preso. A ex-primeira-dama chegou a ser cotada para ser a candidata do PL, mas o ex-presidente demonstrou contrariedade com o plano. Michelle deve disputar o Senado no Distrito Federal.



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