“Todos os grandes números dizem que este foi um bom governo”, afirmou o analista político Thomas Traumann. “O fato é que as pessoas comuns simplesmente não concordam com isso.”Traumann traça paralelos com as dificuldades enfrentadas pelo então presidente dos Estados Unidos Joe Biden em 2024 para superar a desconexão entre dados macroeconômicos positivos e o sentimento negativo dos consumidores, fenômeno que a comentarista econômica Kyla Scanlon apelidou de “vibecession”, em referência à sensação de recessão ainda que dados econômicos não respaldem este quadro. “O governo tem resultados para apresentar, mas encontra um eleitor que pergunta quanto desses resultados chegou à sua casa”, disse Felipe Nunes, fundador e CEO da Quaest. “O eleitor avalia a economia pela capacidade de pagar as contas, consumir e realizar seus planos.”Os preços dos alimentos e o aumento do peso das dívidas ajudam a explicar por que muitas famílias perceberam pouca melhora em seu poder de compra desde a pandemia.Embora a inflação dos alimentos tenha desacelerado fortemente nos últimos meses, e os preços tenham até recuado entre junho e agosto, anos de aumentos expressivos continuam pressionando os orçamentos domésticos, com os preços ainda muito acima dos níveis pré-pandemia.Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas, excluindo financiamentos imobiliários, atingiu o recorde de 26,6% em junho, segundo dados do Banco Central.
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