Subiu para 53 o número de mortos em razão do terremoto de magnitude 7,7 que atingiu a Indonésia neste sábado (15). Cerca de 5.000 pessoas foram retiradas de suas casas.
O sismo também causou o bloqueio de estradas e provocou deslizamentos de terra, informaram as autoridades do país asiático neste domingo (16). Elas acrescentaram que mais de 130 pessoas ficaram feridas, muitas com fraturas.
O terremoto deste sábado foi o mais letal no país do Sudeste Asiático desde que um tremor matou centenas de pessoas em Java Ocidental, em 2022.
Mais de 3.300 pessoas na região indonésia de Sikka —uma das mais atingidas pelo sismo— deixaram suas casas por conta própria ou estavam abrigadas em uma arena esportiva, segundo a Agência Nacional de Gestão de Desastres do país, conhecida pela sigla BNPB.
Alguns moradores passaram a noite ao relento diante de casas que desabaram, sob tendas improvisadas feitas de lona, enquanto outros recebiam atendimento em uma tenda do lado de fora do hospital local.
Um vasto arquipélago com 290 milhões de habitantes na Ásia, a Indonésia está situada sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, uma zona de intensa atividade sísmica onde placas tectônicas se encontram, provocando terremotos e erupções vulcânicas frequentes.
Indonésios relatam medo de novos terremotos
Em um porto agora fechado em Maumere, repleto de destroços do teto e das paredes que desabaram, moradores disseram à agência de notícias Reuters que estavam com medo de sismos secundários.
A agência de gestão de desastres informou neste domingo que quase mil réplicas haviam sido registradas desde o terremoto de magnitude 7,7 ocorrido na manhã deste sábado, às 5h58 locais —18h58 da noite de sexta-feira (14) no horário de Brasília.
Nas proximidades, centenas de moradores lotaram um estádio esportivo designado para receber pessoas retiradas de suas casas.
Enquanto o sol se punha, os moradores faziam fila para receber bebidas quentes. Algumas mães penduraram peças de roupa nas estruturas das tendas para formar berços improvisados para seus bebês. Outras crianças jogavam futebol do lado de fora.
Uma dessas mães era Lisda, 22, que preferiu ficar em uma tenda com seus bebês gêmeos por medo de dormir dentro de casa.
Dentro de outra tenda, Yuvienta Saen, 67, relatou seus infortúnios. Ao sentir o terremoto durante suas orações matinais, ela teve de escolher entre o marido, uma pessoa com deficiência física, e a própria vida. “Ele me disse: ‘Corra, estou entregando meu destino a Deus’”, contou ela, acrescentando que faltavam água potável e cobertores na tenda.
A região atingida pelo tremor sofreu, em 1992, um terremoto de magnitude 7,5 que causou grande destruição, informou a agência de geofísica da Indonésia.
Margaretha Movaldes da Maga Bapa, chefe da agência regional de gestão de desastres, disse que o terremoto trouxe lembranças do passado. “Já tivemos terremotos muitas vezes. Mas este realmente traz de volta o trauma daquele de 1992”, afirmou.
Suryaman, funcionário de uma agência de resgate, disse à Reuters que a prioridade era remover os escombros nas áreas mais afetadas de Manggarai, Manggarai Oriental e Nagekeo para encontrar pessoas que talvez ainda estivessem soterradas.
Ele afirmou que a agência não havia recebido relatos de pessoas desaparecidas, mas acrescentou que os deslizamentos de terra e as réplicas dificultavam as buscas.
Mais de 3.500 militares e policiais foram enviados à região, informou o secretário do Gabinete da Indonésia, Teddy Indra Wijaya, em comunicado.
Lá Fora
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O fornecimento de energia elétrica havia sido quase totalmente restabelecido, mas as autoridades ainda trabalhavam para reparar as linhas de distribuição, disse neste domingo a empresa estatal de energia Perusahaan Listrik Negara.
O governo de Nusa Tenggara Oriental declarou estado de emergência na província, informou a BNPB, medida que permite às autoridades mobilizar recursos e verbas.


