Vale: disputa entre Stieler e Previ vai a assembleia - 23/06/2026 - Economia

Vale: disputa entre Stieler e Previ vai a assembleia – 23/06/2026 – Economia

O presidente do conselho de administração da Vale, Daniel Stieler, diz que a ofensiva da Previ, a fundação de previdência do Banco do Brasil, sobre seu cargo atropela ritos internos e enfraquece a governança da mineradora. Em sua defesa, ele acusa ainda a fundação de abusar de seu poder de voto.

A troca na presidência do conselho da Vale será definida em assembleia no dia 22 de julho. A destituição de Stieler foi pedida pela Previ no último dia 11, sob o argumento de que quer fomentar a independência do conselho para melhorar a governança da mineradora.

Stieler foi eleito para o conselho da Vale em 2021 por indicação da própria Previ, mas recusou o pedido para deixar o cargo antecipadamente —seu mandato vence em 2027. Seus aliados dizem que a troca tem motivação política, o que a Previ nega.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (23), a fundação disse que a proposta de destituição de Stieler “é uma iniciativa alinhada ao seu papel de investidora institucional, comprometida com a fiscalização e a indução das melhores práticas para uma governança sólida, independente e livre de interferências”.

Stieler escreveu, em defesa apresentada na reunião do conselho que debateu o tema, na sexta-feira (19), que “questão central é avaliar se uma mudança de liderança neste momento agrega valor superior ao risco inerente de uma transição em um ciclo operacional e estratégico favorável”.

“O acionista deve exercer o direito de voto no interesse da companhia. Um pedido de destituição de um presidente do conselho que não encontra respaldo em fatos pode caracterizar um possível desvio de poder”, afirmou.

Stieler defende que possui avaliações positivas pelas estruturas de governança da mineradora e que os resultados da empresa foram favoráveis durante sua gestão na presidência do conselho de administração.

“Dessa forma, a justificativa da Previ de que a troca visa ‘fortalecer a governança’ torna-se contraditória se o processo de troca atropela os ritos de avaliação de desempenho”, afirmou. “Ignorar as informações institucionais para realizar uma destituição política é, por definição, um enfraquecimento da governança, e não o contrário.”

Ele defendeu ainda que a Previ não teria mais direito a indicar dois representantes no conselho, já que reduziu sua participação no capital da mineradora a 7,01%. Ele se apresenta como um conselheiro independente, isto é, sem ligação a acionistas relevantes.

“O pedido de destituição com indicação de outro conselheiro pela Previ não tem respaldo na participação acionária que ela detém”, diz.

Folha Mercado
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Com apenas um voto contrário e três abstenções, o conselho de administração da Vale propõe aos acionistas a rejeição do pedido de destituição de Stieler, sob o argumento de que houve “notória evolução” na governança da companhia nos últimos anos, além de aprimoramentos na atuação estratégica.

Os acionistas também recomendam a rejeição de indicados da Previ para a vaga de Stieler, caso ele seja destituído. A fundação quer que o assento no conselho seja dado a José Maurício Coelho e que a presidência vá para o conselheiro Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie.

O conselho recomendou votos em Ieda Gomes para o assento, alegando que ela já foi avaliada pela governança da companhia, o que não ocorreu com Coelho. E não indicou um nome para a presidência, mas o conselheiro Marcelo Gasparino lançou candidatura.

A troca, continua, é parte do processo de renovação do conselho da Vale, cujo mandato expira em 2027. A fundação diz que quer ampliar a independência do conselho para que a sucessão seja conduzida “com legitimidade e consistência”.

Negando que tenha motivação política na troca, a fundação diz que não tem a intenção de indicar candidato a presidente do conselho em 2027. A Previ sempre foi vista como um braço de influência do governo na mineradora.

Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, no comando da empresa. Lula tem feito muitas críticas públicas à mineradora, que vão desde a demora para um acordo sobre os danos de Brumadinho à contratação de navios em estaleiros no exterior.



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